Angola tem boa participação na Bienal

António Bequengue | Veneza
13 de Maio, 2015

Fotografia: Jornal de Angola

O artista plástico António Ole, curador do pavilhão de Angola na Bienal de Veneza, que termina a 22 de Novembro, considera positiva a participação nacional nesta edição da maior montra mundial das artes.

O curador sustenta a sua afirmação na afluência diária de muito público ao espaço naciona. Em declarações ontem ao ao Jornal de Angola, António Ole disse que  o grande número de visitas diárias ao pavilhão de Angola é prova da participação positiva do país.
Angola levou à Bienal de Veneza um conjunto de obras e vídeos dos artistas António Ole, Binelde Hyrcan, Délio Jasse, Francisco Vidal e Nelo Teixeira, que o curador considera "um dialógo geracional" entre artistas da velha e da nova geração.
“Trouxemos a Veneza um dialógo de gerações”, disse António Ole, e acrescentou ter ficado regozijado pela distinção nesta edição com o Leão de Ouro de Carreira ao artista ganense El Anatsui, seu contemporâneo.
“El Anatsui é um grande amigo meu e essa distinção é um reconhecimento merecido ao seu trabalho. Ele é um artista que trabalha há décadas e prima sempre pela originalidade do seu trabalho e visão artística”, disse António Ole, que acrescentou: "A Bienal é um processo de dialógo com outros artistas do mundo e troca de experiências e existem propostas de levar a exposição a Angola, ao Rio de Janeiro, ao Porto e  Tóquio.
A participação da Angola não foi fácil, devido a problemas de vária índole, mas graças à pronta intervenção do Executivo, através do Ministério da Cultura, foi possível o país estar presente na Bienal de Veneza, adiantou António Ole, para sublinhar: "O número de artistas presentes representa o que se está a produzir no país em termos de arte contemporânea. Se o número fosse maior implicaria outros custos, como um espaço maior de exposição."
Quanto ao actual momento das artes em Angola, António Ole afirmou ser preciso esperar para colher frutos, sobretudo agora, com a abertura do Complexo das Escolas de Artes (Carte), no bairro da Camama, mas disse ser urgente a criação de museus no país.
Artista plástico, fotógrafo e realizador, António Ole nasceu em 1951, em Luanda. Como artista plástico, Ole cria esculturas inspiradas nas pinturas murais dos tchokwe, e produz pintura moderna, cuja originalidade é vincada pelos elementos tradicionais utilizados. Em 1970, aos 19 anos, chamou a atenção do público e da crítica para a sua pintura, quando, no IV Salão de Arte Moderna de Luanda, expôs um quadro com o Papa Paulo VI a tomar a pílula.
António Ole realizou a sua primeira exposição em 1967 e desde a sua estreia internacional, no Museum of African American Art, em Los Angeles, em 1984, os seus vários trabalhos têm sido apresentados em várias exposições, bienais, festivais, como em Havana (1986, 1988, 1997), São Paulo (1987), Expo'92, em Sevilha, Berlim (1997), Joanesburgo (1995, 1997), Dakar (1998), Amesterdão (2001) e Veneza (2003).

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