Cultura

Angolanos e sul-africanos exibem dança tradicional

Edvaldo Lemos

Um espectáculo de dança tradicional e contemporânea, que junta, numa coreografia original, bailarinos da Academia de Dança “Lu-thando Arts Academy”, África do Sul, e do Ballet Kilandukilu, Angola, marca, hoje, a partir das 19h00, no Palácio de Ferro, o encerramento da Semana Cultural Sul-africana, em Luanda.

Iniciativa criou oportunidade de troca de experiência entre criadores nacionais e sul-africanos
Fotografia: DR

O espectáculo é o resultado do trabalho efectuado entre os bailarinos angolanos e sul-africanos, durante o se-minário de dança tradicional e contemporânea, que decorreu, de terça-feira até ontem, no Palácio de Ferro.

Orientado pelo coreógrafo sul-africano Luyarda Sidiya, o seminário, além de criar uma coreografia original, a ser exibida no encerramento da semana cultural, serviu para o estreitamento da colaboração entre os bailarinos da “Luthando Arts Academy” e do Ballet Kilandukilu.
Luyarda Sidiya disse, ao Jornal de Angola, que a parceria com o ballet angolano “significa uma ligação entre países africanos, para romper as barreiras da colonização e mostrar que amamos a nossa cultura.”
“Isso só nos conecta, porque já andamos há muito tempo separados e essa parceria veio para nos unir”, frisou o coreógrafo sul-africano, acrescentando que não há muita diferença, em termos de dança tradicional entre os dois povos.
“Os ritmos são completamente iguais. Aproveitamos este intercâmbio para ver algumas divergências. Não há muita diferença naquilo que é feito em Angola e na África do Sul, em termos de dança. Algumas coisas estamos a ver, aqui, neste intercâmbio, que é concretizado agora, mas, em termos de ritmos, somos completamente iguais. O que nos diferencia é mínimo”, disse Luyarda Sidiya.
Para Ana Tomás, directora técnica do Kilandukilu, o grupo que dirige aprendeu muito com a “Luthando Arts Academy”, sobretudo, em termos de novos movimentos e técnicas de dança. Ana Tomás lamentou a falta de iniciativa de outros grupos de Angola.
“Analisamos alguns movimentos de dança e frequentamos aulas técnicas neste seminário, que, para mim, representou muito, uma vez que se realizam, no país, poucas actividades do género. Assim, acabamos sempre por ganhar, pois aprendemos mais sobre dança tradicional e contemporânea”, disse.
Iniciada a 28 de Novembro para celebrar os 25 anos da Liberdade e Democracia na África do Sul, a semana cultural promove troca de experiências entre criadores angolanos e sul-africanos, nos mais variados domínios das artes.
O artista plástico angolano Avelino Neves considerou a iniciativa positiva, por permitir aprender e transmitir conhecimentos a colegas da terra de “Nelson Mandela”.
“No intercâmbio com os artistas sul-africanos, o exercício foi positivo. O essencial foi ter bebido da experiência deles e poder mostrar o que sei fazer. Essa relação vale muito para o desenvolvimento cultural dos dois países”, realçou Avelino Neves.
Os sul-africanos, disse, ficaram fascinados com a maneira como os angolanos produzem as obras, usando técnicas de pintar ténis, camisolas e outras ferramentas de desenho.
“Eles trouxeram várias folhas para pintar, mas cada um usou a sua técnica para mostrar aos outros. Eles queriam ver como os artistas angolanos trabalham, por isso, apresentamos vários trabalhos para análise”, frisou.
A semana cultural presta atenção à partilha de experiências, através de vários géneros de arte, como música, dança, poesia, cinema, moda, design, pintura mural e artesanato, forjando a unidade, integração e colaboração entre os dois países.

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