"Aniki-Bobó" em Paris


10 de Abril, 2015

Fotografia: REUTERS

“Aniki-Bobó” e “O Gebo e a sombra” são dois dos filmes de Manoel de Oliveira que estão a ser exibidos até o dia 14 deste mês no Cinéma le Grand Action, em Paris, numa homenagem ao cineasta, falecido há uma semana.

A direcção do Cinéma le Grand Action lamenta a morte do realizador português, programando, com “urgência”, uma semana de exibições regulares do cinema do realizador.
Até ao dia 14 vão ser recordados em Paris filmes como “O Gebo e a sombra” (2012), última longa-metragem de Manoel de Oliveira, “Aniki Bobó” (1942), primeira longa-metragem de ficção, e “O estranho caso de Angélica”, no qual recupera um projecto com mais de 50 anos.
A estes juntam-se o documentário “O Acto da Primavera”, “Belle Toujours”, “Cristóvão Colombo - o Enigma”, “Francisca”, “Benilde ou a Virgem Mãe”, “O passado e o presente”, “Singularidades de uma rapariga loura” e “O espelho mágico”.
Manoel de Oliveira morreu a 2 de Abril aos 106 anos, em casa, no Porto.
Em França, onde estrearam muitos dos seus filmes, Manoel de Oliveira foi recordado com pesar, com várias figuras públicas e organismos culturais a lamentarem a perda para a cultura e para o cinema mundial. “Manoel de Oliveira era um incansável contador de histórias que acreditava no cinema dos tempos primitivos, nos tempos em que a credulidade do espectador se fundava no olhar cândido”, escreveu o director-geral da Cinemateca Francesa, Serge Toubiana.
Stéphane Delorme, chefe de redacção da revista “Cahiers du Cinéma” afirmou: “Ficámos muito tristes e com a impressão de que caiu um monumento, ainda que nunca tenhamos tido a impressão de que ele fazia um cinema monumental. O cinema dele era elegante, irónico, inteligente”.
A revista francesa vai dedicar parte da edição de Maio ao realizador português, publicando uma entrevista que, segundo Delorme, é inédita.
A organização do festival de Cannes afirmou que Manoel de Oliveira foi um “farol da cultura europeia e mundial”, que ocupa o “mesmo lugar para o cinema português que Ingmar Bergman para a Suécia, Akira Kurosawa para o Japão ou Federico Fellini para a Itália”.
O Festival de Cannes homenageou o realizador português com uma Palma de Ouro pela sua carreira, em 2008.
Em 2014, Manoel de Oliveira foi condecorado com as insígnias de Grande Oficial da Legião de Honra de França.

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