Cultura

Antiga fábrica Mission abre espaço para artes

“Jahmek Contemporary Art” é o nome da galeria de artes visuais inaugurada na antiga fábrica de refrigerantes Mission, nos Coqueiros, Baixa de Luanda.

Além de exposições a nova galeria promove encontros sobre o panorama artístico
Fotografia: Jaimagens/fotográfo

O novo espaço abriu com a exposição colectiva “Indivíduo. Cidade. Metamorfose”, patente até ao dia 24, e engloba uma selecção de trabalhos dos artistas representados pela galeria, nomeadamente Délio Jasse, Francisco Vidal, Iris Buchholz, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Tiago Borges, e Yonamine.
A galeria “Jahmek Contemporary Art” apresenta-se como uma plataforma que, através de programas de exposições, propõe-se a promover diálogo e pensamento crítico em volta da expressão artística visual de Luanda.
Segundo os fundadores da galeria, Mehak e Jardel Vieira, o espaço representa a ligação tripartida do amor à arte e à vida, uma experiência que inspira o convívio de artistas e apreciadores de arte num universo de diversidade cultural, “em que a razão e a vontade de fazer acontecer consolidam a crença e a visão necessária na concretização dos nossos objectivos. Somos sociedade, acompanhamos sonhos e ilustramos vivências”, disse Mehake Vieira.
A galeria, acrescentou, nasceu da relação produtiva que os seus fundadores vêm desenvolvendo com uma nova geração de artistas e pensadores que surgiram no período de pós-guerra, e que se revelou determinante para o desenvolvimento, disseminação e reconhecimento da expressão artística produzida em Luanda, com repercussão internacional.
 Paralelamente às exposições colectivas e individuais, a galeria pretende desenvolver uma programação inclusiva, organizando um conjunto de iniciativas que promovam um diálogo directo com temas da actualidade, cujo enfoque seja o trabalho produzido pelos artistas representados pela galeria, contribuindo tanto para o panorama cultural angolano como à escala internacional.

Conceito da exposição

Kalaf Epalanga, que assina o texto de apresentação da mostra “Indivíduo. Cidade. Metamorfose”, refere o seguinte: “Hoje, no ainda proémio da era digital em que nos encontramos, é pertinente questionar que missão podem prestar as galerias de arte nas sociedades contemporâneas?   Um pouco por todo lado, e em África não é diferente, o papel das galerias de arte tem vindo a sofrer mudanças drásticas. Os desafios são novos, e os pólos produtores de cultura e pensamento entraram num processo de requalificação. Partindo do princípio de que os limites tradicionais que definiram as funções da arte se alteraram, o espaço galeria de arte deixa de ser um mero cubo de paredes brancas, e passa a ser a própria extensão da vontade e espírito do artista, justaposto com o pulsar e o dinamismo da sociedade em que estes se inserem.
E de que forma poderão os africanos inventar o futuro? Arriscamos a apontar que o caminho começa por identificar, e estimular, aqueles que têm nas capitais africanas como Luanda, a sua maior fonte de inspiração. Os artistas, que aqui reunimos, partilham dessa verve inventiva, mostrando que, da cidade e suas geografias físicas e emocionais é extraída matéria- prima que lhes permite trazer ao de cima, para o centro da cultura global, as diferentes Angolas que, com suas identidades e sensibilidades singulares, sustentam este espaço. Ei-los aqui: Délio Jasse, Francisco Vidal, Iris Buchholz, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Tiago Borges e Yonamine. Alguns dos artistas angolanos, autóctones e alóctones neste espaço, que estão a inventar o futuro que já começou. O que eles criam são para nós uma espécie de lupa, o instrumento que nos permite olhar um pouco mais perto, um pouco mais fundo do que realmente somos. Eles, melhor do que ninguém, sabem que qualquer manifestação artística, para fazer sentido em Angola, precisa do impacto transcendente igual ao de uma bofetada ou de um beijo inesperado.

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