"Antígona" abre circuito internacional de teatro

Manuel Albano |
3 de Julho, 2016

Fotografia: João Gomes

Filosofia, história, política, amor e ódio. Assim se pode caracterizar o clássico "Antígona", do dramaturgo grego Sófocles, adaptada pela professora cubana Marcela Oliveira, para abertura da primeira edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que decorreu sexta-feira, na cidade do Kilamba.

A peça que marcou a abertura do Circuito Internacional de Teatro resultou numa belíssima actuação de um grupo de alunos do segundo ano do Curso de Teatro do Instituto Superior de Artes (ISART), com assistência de direcção garantida pelo actor e encenador Tony Frampênio.
O espectáculo foi trabalhado ao pormenor. E isso a plateia pode comprovar pelo desempenho de cada uma das personagens da peça, a partida difíceis de interpretar, mas que ficou resolvido com preparo físico e aulas, por sinal, bem apreendidas sobre como explorar os espaços do palco, a dicção e a iluminação. Com a exibição a roçar a perfeição foi com a maior naturalidade que o público no final aplaudiu de pé.
Num outro momento, ouviram-se aplausos um tanto menos efusivos, mas também merecidos quando se deu o “assalto cultural” com o grupo de dança tradicional “Tremura Show”, com a exibição dos alunos do Complexo de Escolas de Artes, a dar um sentido mais alargado ao projecto “Cultura para Todos”, iniciativa da Companhia de Teatro Pitabel.

Homenagens

No primeiro dia do Circuito Internacional de Teatro foram homenageados com diplomas de mérito, o chefe de departamento da Direcção Nacional da Acção Cultural, Diogo Colombo, a direcção do ISART, o grupo tradicional “Tremura Show” e os alunos do Complexo de Escolas de Artes (CEART). Além de grupos nacionais, e de acordo com a agenda do evento, vão participar grupos de Cabo Verde, Portugal, França, Cuba, Itália, Alemanha, Moçambique e Brasil.
A organização esmera-se para que, mais do que um local de passatempo, o festival  de teatro venha a proporcionar o intercâmbio cultural entre os africanos, europeus e sul-americanos. A primeira edição do Circuito Internacional de Teatro decorre até 17 de Setembro, data em que se assinala em Angola o Dia do Herói Nacional. O Circuito Internacional de Teatro é co-organizado com a produtora Globo Dikulo, e visa saudar, também, o aniversário da cidade do, a 11 de Julho, e o aniversário do Presidentes José Eduardo dos Santos, dia 28 de Kilamba Agosto, e de António Agostinho Neto, a 17 de Setembro, respectivamente.

Aplausos cruzados


Por inexistência de salas convencionais no país para a exibição de peças de teatro e de outras expressões artística, o ISART foi o local escolhido na tentativa, também, de descentralizar as actividades realizadas quase sempre na baixa de Luanda. Mas a iniciativa do Grupo Pitabel atesta que nem mesmo a falta dos respectivos espaços constituem obstáculos ou motivos suficientes para fazer com que os actores desistam. E aquilo que se viu na sexta-feira foi digno de nota. Se por imposição da qualidade do espectáculo ou se da selecção de público, o certo é que assistiu-se a uma interacção, que sem exageros, se não foi perfeita andou lá perto.
E não foi por acaso que, no fim da exibição, cruzaram-se aplausos. Foi surpreendente observar a vénia da plateia. Apesar dos parcos recursos da organização, o desafio dos actores foi tentar mostrar o cenário perfeito que mais fielmentemente  se aproximasse as discrições da tragédia original.

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