Antropóloga estuda o crescimento urbano

Adriano de Melo |
14 de Agosto, 2015

Fotografia: Maria Augusta

O desenvolvimento dos principais centros urbanos são o tema de análise do novo trabalho da antropóloga e pesquisadora angolana Cristina Udelsmann Rodrigues que começa a ser realizado em Outubro no Centro de Investigação “Nordic Africa Institute”, na Suécia.

O projecto, denominado “Cidades Médias”, inclui, numa fase inicial, estudos sobre os principais centros urbanos de Angola e Moçambique. O objectivo, explicou ao Jornal de Angola, é analisar as dinâmicas de crescimento fora das cidades capitais.
Para Cristina Udelsmann Rodrigues, que trabalha neste ramo há mais de 15 anos, as mudanças e alterações que acontecem nestas cidades são parte de um processo de mudança muito especial, que precisa de ser documentado por incluir também alterações na dinâmica cultural e social dos seus habitantes.
O foco do estudo, disse, recai principalmente sobre os negócios feitos nas fronteiras, as zonas mineiras, o desenvolvimento dos programas agro-pecuários e o turismo, que são as principais causas de grande concentração populacional. “Um dos resultados reais e imediatos do aumento populacional numa região é o surgimento de novos projectos urbanizados.”
O trabalho, adiantou, é feito em quatro anos e conta com a parceria de diversas redes internacionais de investigação e universidades angolanas e moçambicanas. Numa primeira fase, precisou, os trabalhos de investigação são feitos à base de material bibliográfico e a posterior, numa segunda fase, que arranca no próximo ano, a pesquisa é feita nas localidades. Além de documentar para a próxima geração, o projecto também é desenvolvido com o intuito de ajudar a explicar o funcionamento da dinâmica dessas zonas urbanizadas, algumas delas afastadas mesmo das cidades capitais.
Outro aspecto importante, referiu, é a criação e dinamização dos centros de investigação nacionais. “A criação de mais espaços do género vai permitir aos estudantes e investigadores, nacionais ou estrangeiros, aprofundar os seus conhecimentos sobre algumas alterações que existem em várias estruturas da sociedade.”
A pesquisadora reconheceu que existe já um investimento do Executivo na criação e modernização de centros de investigação. “Porém, é preciso aposta mais, porque os ganhos são inúmeros, particularmente na área da investigação, um ramo da ciência que é fundamental como legado para a próxima geração”, destacou Cristina Udelsmann Rodrigues.
Com a criação dos centros de investigação existe um maior interesse e aproveitamento dos estudantes, “que podem continuar a desenvolver os seus trabalhos de investigação e os utilizar como fonte de orientação sobre os vários fenómenos socioculturais do país”.
Os centros permitem aos estudantes ter mais experiência sobre trabalhos de investigação e trocar ideias sobre alguns temas. “É também uma oportunidade de desenvolverem, com mais bases, os seus projectos no ramo da ciência”, disse.
A investigadora angolana trabalha, até ao final deste mês, no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Os seus trabalhos de investigação em Angola têm tido incidência em temas relacionados com a pobreza, a urbanização, o desenvolvimento local, as fronteiras, as zonas mineiras e as migrações. A maior parte desses estudos sobre Angola, realçou, já foram apresentados em conferências internacionais e publicados em revistas científicas internacionais. A investigadora tem também trabalhado com instituições universitárias angolanas.
Nascida em Luanda, Cristina Udelsmann Rodrigues é antropóloga social com doutoramento em Estudos Africanos Interdisciplinares, investigadora do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Portugal. Participou e liderou vários projectos de investigação sobre países africanos de língua portuguesa, a maior parte deles em Angola.
A sua principal área de pesquisa é a África urbana, apesar de realizar investigação sobre a pobreza e a protecção social, as crianças, jovens e idosos, as fronteiras em África ou o desenvolvimento e cooperação.
O “Nordic Africa Institute” é um centro de investigação, documentação e informação sobre a África moderna existente nos países nórdicos. O instituto, fundado em 1962, está localizado em Uppsala, Suécia, e é parte de uma rede de Centros de Estudos Africanos na Europa.

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