Antropólogo Aço é homenageado

Roque Silva|
8 de Julho, 2014

Fotografia: JA

A Faculdade de Ciências Sociais, da Universidade Agostinho Neto, vai passar a dispor nos próximos meses de um novo laboratório de antropologia, denominado Professor Samuel Aço, informou ontem, em Luanda, o decano da instituição, Victor Kajibanga.

O docente, que falou ao Jornal de Angola durante a homenagem feita a título póstuma ao malogrado antropólogo e investigador, disse que o espaço vai servir para realizar pesquisas, recolha e tratamento de dados. Além disso, vai promover e realizar visitas de estudo anuais às populações das áreas desertas e semidesérticas do Namibe, de forma a dar continuidade ao Projecto de Acção do Centro de Estudos do Deserto, de Samuel Aço.
O secretário de Estado da Cultura destacou, no acto, o carácter patriótico e nacionalista do homenageado e referiu a sua incansável luta pela recolha de informações das várias etnias que compõem o mosaico cultural angolano. “Samuel Aço foi muito dedicado nos seus afazeres. O resgate, promoção e a valorização da cultura, assim como o respeito pelas diferentes etnias nacionais foram algumas das suas principais preocupações", disse Cornélio Caley.
O professor universitário João Fernandes afirmou que Samuel Aço foi o mestre do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais, pela sua activa qualidade de leccionar e o constante interesse académico.
O desaparecimento do mestre, frisou, deixa marcas indeléveis, “porquanto o seu saber, profissionalismo e dedicação foram transformados em trabalho de campo através de investigações". “Ele viveu sempre preocupado com uma antropologia voltada para os angolanos", finalizou.
Para Virgílio Coelho, Samuel Aço é um dos poucos antropólogos que devia ter sido homenageado ainda em vida.
O decano da Faculdade de Ciências Sociais entregou um diploma de honra à viúva, Teresa Aço, e foi apresentado um documentário sobre as pesquisas por ele efectuadas no Curoca, no Tombua e no Namibe, da autoria de Nguxi dos Santos. A cerimónia contou ainda com depoimentos de professores e estudantes sobre o antropólogo.
Samuel Aço era natural de Caluquembe, na Huíla, onde nasceu a 26 de Junho de 1945. Viveu a sua infância na província do Namibe até aos 12 anos, altura em que se mudou para Luanda. Ligado à administração, ensino e à cultura, dedicou-se à investigação sobre questões socioculturais angolanas. Exerceu várias funções de direcção no Ministério da Cultura, além de ter sido docente da Faculdade de Ciências Sociais, da Universidade Agostinho Neto, e também o fundador do Centro de Estudos do Deserto.
Colaborou com artigos sobre antropologia em várias publicações nacionais e internacionais. Até à data da sua morte, no passado dia 4 de Junho, Samuel Aço exercia as funções de Presidente do Júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes.

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