Aposta na afirmação e divulgação das expressões artísticas

António Bequengue |
31 de Dezembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

O ano que hoje termina foi bastante frutífero para o sector da Cultura, em termos de afirmação, promoção e divulgação das várias modalidades artísticas e culturais, dentro e fora do país.

Diante dos novos desafios no sector da Cultura, os angolanos celebram o 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional, com uma reflexão à volta do posicionamento dos criadores em tornoda consolidação da identidade cultural angolana.
Este ano, a província do Zaire acolheu, com a realização de diversas actividades músico-culturais, o acto central da efeméride, para onde se deslocou uma delegação do Ministério da Cultura chefiada pela titular da pasta, Rosa Cruz e Silva.
A ocasião serviu para render homenagem ao primeiro Presidente  de Angola, Agostinho Neto, tendo em conta o importante discurso proferido em 1979, na União dos Escritores Angolanos (UEA), que deu origem à consagração da data. Rosa Cruz e Silva garantiu que o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) gizado pelo Executivo Angolano para o quinquénio 2013/2017 prevê acções que visam o desenvolvimento das artes em todo país, exaltar e valorizar a cultura nacional.
As declarações da ministra foram reforçadas com a inauguração, também no âmbito do 8 de Janeiro, em Camama, Luanda, do Complexo das Escolas de Artes, uma instituição do Ministério da Cultura, que reagrupa as diferentes escolas médias de disciplinas artísticas até agora existentes em Angola. O novo complexo forma quadros de nível médio nos domínios das Artes Visuais e Plásticas, Dança, Música, Teatro e Cinema.

Mbanza Congo

A inscrição da cidade histórica de Mbanza-Congo, capital da província do Zaire, na lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) é um dos projectos de grande montra do Executivo, que, ao se consumar, vai projectar a imagem de Angola além-fronteiras. Apesar dos esforços empreendidos, Angola viu o projecto de candidatura ser considerado incompleto pelo Centro do Património Mundial da UNESCO.
Agora, peritos nacionais e estrangeiros estão a trabalhar no dossier para que o mesmo seja examinado pelo Comité do Património Mundial em 2016. A entrega formal da candidatura da cidade de Mbanza Congo aconteceu no final do mês de Janeiro, sete anos depois de iniciado o processo de valorização da região, pelo projecto “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”. Desde Junho de 2013 o centro histórico de Mbanza Congo está classificado como património cultural nacional, um pressuposto indispensável para a sua inscrição na lista de património mundial.

Bienal de Veneza


Dois anos depois do artista plástico Edson Chagas terconquistado o Leão de Ouro, na bienal de Veneza, com “Luanda: cidade enciclopédica”, as artes plásticas angolanos voltaram a ser presença na maior montra mundial das arteseste ano. Com curadoria do veterano António Ole, Angola levou à Bienal de Veneza um dialógo de gerações, com um conjunto de obras e vídeos dos artistas Binelde Hyrcan, Délio Jasse, Francisco Vidal, Nelo Teixeira e do próprio curador, que se regozijou pela distinção nesta edição com o Leão de Ouro de Carreira ao artista plástico ganense El Anatsui, seu contemporâneo.
“El Anatsui é um grande amigo meu e essa distinção é um reconhecimento merecido ao seu trabalho. Ele é um artista que trabalha há décadas e prima sempre pela originalidade do seu trabalho e visão artística”, disse António Ole, na altura, ao Jornal de Angola, na cidade de Veneza, Itália, dias antes do encerramento de mais uma edição da Bienal de Artes.

Expo Milão


Descrito como uma janela para a cultura angolana em 3D, na qual se destacou o importante papel das mulheres na História do país, o pavilhão de Angola na Expo Milão 2015 atraiu milhares de visitantes pela sua exuberância e potencialidades apresentadas ao longo dos seis meses da exposição. Além das potencialidades agrícolas, Angola mostrou ao mundo as suas criações artísticas, desde a dança, música, moda, artes plásticas, literatura e gastronomia, tendo se evidenciado entre os 145 países participantes.
Não foram em vão os quatro troféus, sendo uma medalha de ouro, pela dimensão e beleza arquitectónica do seu pavilhão. Foi, sem dúvida, uma conquista para Angola, premiando o desempenho da comissária-geral Albina Assis Africano e do nosso potencial agrícola, cultural e gastronómico. Foi a primeira vez que um país africano e, em particular, uma mulher tiveram tamanha distinção e honra pelo Bureau Internacional de Exposições (BIE).
Os ministros da Cultura dos Estados que participaram na Expo Milão 2015 reuniram-se em Conferência Internacional, na qual Angola esteve representada pela ministra Rosa Cruz e Silva, que na sua intervenção destacou o empenho do país na defesa do património cultural, material e imaterial.

 

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