Cultura

Aposta no cinema garante divulgação real da nação

Roque Silva

O realizador italiano Andrea Barzini defendeu uma maior aposta no cinema pelas instituições públicas e privadas angolanas por forma a se garantir que o Estado divulgue as potencialidades do país em todos os domínios, quer cultural, turístico, quer desportivo e paisagens naturais.

Realizador italiano (à esquerda) com o embaixador Cláudio Miscia no primeiro dia da formação
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Andrea Barzini falava na primeira sessão de um seminário organizado pela Embaixada da Itália, que decorreu no Centro Cultural Brasil-Angola. No primeiro dia, o realizador dissertou sobre “O cinema italiano em África”, durante o qual referiu que, para se fazer cinema, é necessário investir na formação e numa indústria que sustente a produção, divulgação e circulação dos filmes, proporcionando postos de trabalho para os profissionais e não só.
O surgimento de uma indústria cinematográfica, segundo o cineasta, permite divulgar melhor a história e as potencialidades de Angola. “Todo o país com uma indústria cinematográfica normal e organizada vende melhor a sua imagem ao exterior”, afirmou, tendo apelado para a necessidade de uma aposta urgente.
Na sua óptica, os realizadores angolanos dispõem da condição primária para apostarem na produção de documentários, desde que tenham formação adequada.
Segundo o cineasta, as potencialidades naturais, no caso de paisagens, a cultura e a realidade diária das pessoas são motivos excelentes para serem explorados na sétima arte, “mas, para entrar em acção, é necessário conhecimento no sentido de se ultrapassar quaisquer questões de ordem técnica.”
Para que haja qualidade, “não se deve acomodar diante de uma produção excessiva de filmes baseada no conhecimento empírico”, afirmou Andrea Barzini,  tendo considerado que a inexistência de fortes empresas de distribuição compromete a circulação de filmes africanos na Europa e noutras partes do Mundo.
O realizador comentou 11 dos filmes italianos, seleccionados por ele, que considerou como mais representativos da história do cinema italiano, produzidos entre as décadas de 60 e 80. O embaixador italiano acreditado em Angola, Cláudio Miscia, mostrou-se disponível para apoiar os realizadores angolanos interessados em conhecer a filmografia italiana, partilhando as obras disponíveis na videoteca da embaixada.
Segundo o diplomata, esses filmes podem estar disponíveis através da Aprocima - Associaçao Angolana de Profissionais de Cinema e Audiovisuais, desde que forneça uma lista para que os seus associados tenham a possibilidade de assistir e conhecer um pouco da história do cinema italiano.
O realizador Óscar Gil lamentou o facto de o cinema angolano ser feito ainda por autodidactas, muitos deles com conhecimentos empírico. “Pertencemos a uma classe que pode contribuir para o crescimento deste país, mas infelizmente com muitos anos de cinema continuamos a ver a luz no fundo do túnel. Foi um encontro proveitoso, pena é que participaram muitos poucos estudantes e realizadores.”

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