Apresentado catálogo de arte contemporânea africana

Jomo Fortunato | Porto
29 de Junho, 2015

Fotografia: Cedida

A exposição “You love me, you love me not”, que esteve patente na Galeria Municipal da cidade do Porto, de 5 de Março a 17 de Maio de 2015, deu azo à edição de um catálogo de 127 páginas, de alta qualidade gráfica e definição de imagem.

A publicação pode ser consultada pela generalidade do público, e, sobretudo, por estudiosos da evolução da arte contemporânea, na colecção da Fundação Sindika Dokolo.
A edição do catálogo, enquanto registo documental de natureza gráfica e iconográfica, representa a obra de quarenta e nove artistas, e tem a particularidade de transportar para a posteridade, o produto da criação de várias épocas, de artistas pertencentes a gerações e nacionalidades diversas, da arte contemporânea africana e universal.
Para além da ilustração com imagens das obras expostas na Galeria Municipal do Porto, e fotografias da solenidade do acto inaugural, o catálogo inclui textos do patrono da Fundação, Sindika Dokolo, a transcrição do discurso do Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, a apreciação crítica dos curadores Bruno Leitão, e Suzana Sousa, incluindo o texto, “Felicidade paradoxal”, da autoria de Paulo Cunha e Silva, Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, que escreveu o seguinte: “Não queremos propor à cidade pensar a “Felicidade” através de uma viagem aos parêntesis do real, aos lugares férteis todavia isolados de que nos falava Rousseau. Esta jornada identifica-se com uma procura vinculada à complexidade da vida nas sociedades contemporâneas. Esta exposição, pela sua humanidade e transcontinentalidade, é um grande passo nessa direção. E é bom que uma exposição – cujo principal objetivo é questionar o mundo – aborde a “Felicidade” a partir da sua natureza naturalmente paradoxal”.

Artistas


O catálogo, uma edição da Galeria Municipal do Porto e da Fundação Sindika Dokolo, dedica especial atenção à obra de artistas da África do Sul, Mali, Camarões, Estados Unidos da Améria, Marrocos, Egipto, Quénia, Alemanha, Zimbabué, Nigéria, Tunísia, e Etiópia, incluindo trabalhos, maioritariamente, da nova geração de artistas plásticos angolanos:  Binelde Hycran, Délio Jasse, Edson Chagas, Ihosvanny, Kiluanji Kiá Henda, Nástio Mosquito, Ndilo Mutima, Paulo Kapela, Viteix e Yonamine. De realçar a presença de obras de Marlene Dumas, William Kentridge, Samuel Fosso, Nick Cave, Kara Walker e Kendel Geers.

Fundação


Importa referir que a Fundação Sindika Dokolo, instituição de carácter técnico, científico, cultural e social, sem fins lucrativos, desenvolveu, nos últimos quatro anos, “uma política cultural responsável e consciente conceptualizando e produzindo instrumentos e mecanismos culturais, económicos e políticos, para o desenvolvimento da arte contemporânea africana”, lê-se na última edição da revista “Uanga”, igualmente editada na cidade do Porto, por ocasião da exposição, “You love me, you love me not”,inaugurada no  dia 5 de Maio de  2015, com ilustração da capa de um detalhe da obra, vídeo Urban Fox, do artista plástico, Ihosvany.

Realizações


A criação da colecção de arte contemporânea africana da Fundação Sindika Dokolo, a sustentação do movimento cultural em Luanda, com  a produção da I e II Trienal de Luanda e a concepção e materialização do primeiro pavilhão africano na 52ª Bienal De Veneza, em 2007, tornaram-se factos culturais sem precedentes no contexto africano e mundial.
Nesta perspectiva, argumenta o artista Fernando Alvim, Vice-Presidente da Fundação Sindika Dokolo, “revela-se urgente a criação de um edifício com o propósito cultural multidisciplinar, para permitir a continuidade do movimento e das acções artísticas em Angola e no mundo, com o intuito de desenvolver uma estratégia com outras cidades e nações africanas e uma “network” (rede), e parcerias com instituições internacionais. Por considerarmos vital a reflexão, a historicidade e a “cientificação” da estética africana, engajamo-nos a participar na coesão dos parâmetros que definem a alma e a estética angolana e africana”.

Uanga


A revista “Uanga” (feitiço) , publicação da Fundação Sindika Dokolo, que também é editada sob a forma de jornal, foi criada em 2008, com o objectivo de “informar e interagir com a sociedade angolana para constituir uma plataforma transparente de absorção de ideias dos artistas e parceiros da Fundação e do público”. Editada em língua portuguesa, impressa em Luanda, e distribuída pela Fundação, com a colaboração de  distribuidores africanos e internacionais, a revista tem uma tiragem de 2000 exemplares, e possui noventa e seis páginas a cores.
No dia 19 de Dezembro de 2008, foi lançada uma edição  do jornal “Uanga”, com o título de capa, “imaginar, projectar, realizar ... transcender”, lançado durante o “Projecto Input” por ocasião da exposição que celebrou as novas aquisições da Colecção da Fundação Sindika Dokolo, publicação que abordou o início do movimento cultural da Fundação, no período do ano  2003 a Dezembro de  2008.
 Surgiu depois o jornal  BIP, da Bienal Internacional de Poesia, realizada no CEFOJOR, de  Março a Abril de 2012, em Luanda.
Durante a II Trienal de Luanda vieram a público sete edições da revista “Uanga”, de Abril a Setembro de 2010, incluindo uma edição especial sobre a exposição “You love me, you love me not”, realizada, no Porto, sobre os 10 anos da Fundação Sindika Dokolo.

Catálogos


De 2006 a 2015 a Fundação Sindika Dokolo publicou os seguintes catálogos: “SD observatório”,  sobre uma exposição homónima no Ivan-Instituto Valenciano de Arte  Moderna, Espanha, em Julho de 2006. “Transit”, colecção Sindika Dokolo de arte contemporânea africana, Exposição do Projecto Transit, realizada em Brasília, em 2012, com o alto patrocínio da Presidente da República, Federativa do Brasil, senhora Dilma Rousseff, do Ministro da Fazenda, Guido Mantega e do Presidente da Caixa Económica Federal, Jorge Fontes Hereda.
A Fundação publicou também o catálogo “No fly zone - unlimited mileage”, da exposição do Museu da coleção Berardo, realizada no Centro Cultural de Belém, Lisboa, realizada de 23 de Janeiro a 23 de Março de 2013. Por último o catálogo, em análise, “You love me, you love me not” sobre a exposição homónima.

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