Arqueólogos descobrem túnel histórico


3 de Novembro, 2014

Fotografia: Divulgação

A descoberta de milhares de objectos, como pedras preciosas e figuras de madeira bem conservadas, dentro de um túnel sob a cidade pré-hispânica de Teotihuacán, no México, reforçou a teoria de existirem tumbas perdidas de antigos governantes, informaram ontem os arqueólogos.

Após vários anos de exploração do túnel, de mais de 100 metros de extensão e no qual ninguém entrava há 1.800 anos, pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História mexicano revelaram que as paredes e o tecto estão repletos de minerais com os quais os teotihuacanos recriavam o submundo.
A descoberta inédita compõe mais de 50 mil peças, algumas delas únicas, como figuras de pedra ou madeira que foram conservadas por centenas de anos a 18 metros abaixo do solo.
O lugar onde se encontraram os objectos que datam de 250 anos d.C. tinha servido tanto para vestir os governantes como para enterrá-los, uma hipótese defendida por arqueólogos desde que souberam pela primeira vez da existência do túnel, em 2003.
“Pela magnitude das oferendas, dos materiais que estamos a encontrar, não pode ser outro lugar. Este é o lugar onde devem estar sepultados”, disse o arqueólogo responsável pelo projecto, Sérgio Gómez. Os restos dos governantes da cidade, fundada há cerca de 2.500 anos e onde se encontram as famosas pirâmides do Sol e da Lua, ainda não foram achados.
Para os especialistas, existem condições para revelar este mistério até ao fim de 2015. Os pesquisadores acreditam que já estão a dois metros de onde estão sepultados os restos dos governantes.
Sérgio Gómez, que trabalha desde 2010 com dois robôs fabricados especialmente para o projecto, disse que a busca na última parte do túnel tem que ser feita de forma manual por causa da grande quantidade de humidade no local. “Já estamos nas câmaras, retirámos sedimentos de 60 ou 70 centímetros, mas falta ainda cavarmos mais um ou dois metros no local onde pensamos existir algo muito importante”, acrescentou. Além das figuras, também se encontram sementes que datam daquela época, pedras preciosas oriundas do Golfo do México e algumas bolas de borracha de um tradicional jogo, embora muitos dos objectos nunca foram utilizados e só serviram para ofertas.
Declarada Património Histórico da Humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU), Teotihuacán alcançou o seu apogeu entre os anos 250 e 500 d.C., quando teve uma população de 150 mil habitantes e foi a sexta maior cidade do mundo após Constantinopla e Alexandria.

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