Cultura

Arquivo Histórico Nacional regista poucos visitantes

O chefe de Departamento para a Investigação Científica do Arquivo Histórico Nacional, Honoré Mbunga, lamentou a falta de interesse dos académicos, incluindo escritores, por fazerem pouco recurso aos arquivos para pesquisas, “ desconhecem a importância e ignoram a veracidade dos seus conteúdos”, afirmou na segunda-feira, em Luanda.

Ministra da Cultura (à direita) na visita às instalações do Arquivo Histórico Nacional
Fotografia: Miqueias Machangongo| Edições Novembro

O responsável fez esta afirmação no decorrer da palestra que proferiu sob o tema “A importância dos arquivos para as instituições de ensino superior”, numa iniciativa do Instituto Superior Politécnico Atlântida (ISPA). Na óptica de Honoré Mbunga, os arquivos constituem a fonte mais fidedigna para  obtenção de dados para pesquisas científicas, por serem documentos elaborados por organismos oficiais.
Lamentou, infelizmente, que os arquivos são pouco utilizados pelos docentes e discentes universitários e por outros especialistas de diversas áreas, quando decidem elaborar trabalhos científicos. Segundo o orador, os pesquisadores que recorrem aos arquivos tornam os trabalhos académicos mais originais e completos.
“Os arquivos constituem a memória de uma nação, de uma instituição ou de uma pessoa, são instrumentos importantes para a preservação e valorização do património histórico e cultural de um país”, argumentou. Explicou que os arquivos contribuem ainda para fundamentar a tomada de decisões, comprovar direitos dos cidadãos, conservar informações valiosas, entre outras funções.

“11 clássicos” em Benguela
Os 11 clássicos da literatura angolana estão entre os livros mais vendidos na “Semana do Livro 2018”, que decorre desde segunda-feira no Colégio Laura Vicunã, em Benguela, no âmbito do dia 23 de Abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Editados pelo projecto “Ler Angola”, além dos 11 clássicos estão à venda livros infantis, didácticos e religiosos.
A exposição junta 250 obras de vários autores, é organizada pelo Movimento Shalom, da Igreja Católica, cujo encerramento está previsto para sexta-feira. O coordenador do Movimento Shalom, em Benguela, Graciano Catumbela, informou que o objectivo é despertar o gosto pela leitura, assim como realçar a importância desse acto.
A necessidade de facilitar o acesso ao livro, principalmente aos estudantes, é também um dos objectivos da exposição.
Por isso, Graciano Catumbela apelou aos pais para incentivarem os filhos a lerem. O responsável reiterou o compromisso do Movimento Shalom trabalhar para que o livro chegue a um pre-ço mais acessível aos leitores, quer em Benguela, quer em outras províncias. No quadro da política de promoção e divulgação do livro e da leitura, o Movimento Shalom dispõe de uma livraria na cidade de Benguela que vende livros  aos estudantes a preços mais acessíveis.

Preços em Ndalatando
Os elevados preços de livros e a insuficiência de bibliotecas públicas foram apontados como factores que impedem muitos cidadãos de ganhar o hábito pela leitura. Essa afirmação foi feita, ontem, por habitantes de Ndalatando.
A chefe do Departamento da Cultura e do Patrimó-nio Histórico-Cultural, Rosa Francisco, reconheceu a escassez de bibliotecas na re-gião, que conta com uma instituição do género. Reafirmou que o governo trabalha no sentido de surgirem mais bibliotecas, no sentido de ajudar as pessoas a ganharem o prazer pela leitura e elevarem o nível de conhecimentos. Sobre as políticas de promoção e divulgação do livro, promovidas pelo governo do Cuanza-Norte, in-formou que existe a feira do livro infantil, salas de leitura em escolas públicas, entre outros projectos. Por sua vez, Nelson Domingos, estudante universitário, é de opinião que devia existir políticas mais rigorosas sobre incentivo ao hábito de leitura, particularmente , nas escolas. Referiu que a falta de políticas é uma das causas da má qualidade do ensino, alunos do ensino secundário apresentam debilidades na escrita e leitura.
A professora Maria do Rosário disse que os altos preços fazem com que muitos cidadãos deixem de comprar livros e perdem o gosto pela leitura. Domingos Simão, membro da Brigada Jovem de Literatura, apelou aos professores a incentivarem os alunos a ganhar o hábito pela leitura, porque contribui para o rendimento escolar e permite alcançar um nível de cultura geral mais amplo.

Tempo

Multimédia