Arte alemã em Moscovo


29 de Maio, 2016

Uma equipa de historiadores de arte descobriu no Museu Pushkin, em Moscovo, 59 esculturas desaparecidas de colecções públicas alemãs na Segunda Guerra Mundial, informou ontem a Fundação do Património Cultural Prussiano. 

O achado inclui obras de Donatello, Luca della Robbia, Nicola e Giovanni Pisano, Andrea del Verrocchio, Francesco Laurana e Mino da Fiesole que antes da guerra estavam guardadas no então Museu Kaiser Friedrich (hoje Museu Bode), em Berlim. Durante a guerra, foram transferidas para uma das várias torres que o governo nazi construiu em Berlim para funcionarem como abrigos e postos de defesa contra ataques aéreos.
Em Maio de 1945, esta torre, situada na zona oriental da cidade, sofreu dois incêndios e muitas obras foram destruídas, incluindo, segundo se crê, um “São Mateus” pintado por Caravaggio. O que restou foi para a União Soviética, após a derrota alemã, pelo Exército Vermelho.
Durante décadas, os historiadores de arte alemães não tiveram modo de apurar que obras tinham sido consumidas pelo fogo e quais tinham sobrevivido e se encontravam na então União Soviética. A situação mudou em 2005, quando dezenas de museus russos e alemães começaram a cooperar sistematicamente em projectos comuns de investigação para descobrir o paradeiro de obras de arte desaparecidas de ambos os países.
“A maior parte das esculturas está danificada e algumas encontram-se em fragmentos”, disse o director do departamento da Renascença Italiana no Museu Bode, Neville Rowley, que fez parte da equipa de investigadores responsável pelo achado das 59 esculturas em Moscovo.
O estado em que se encontram as peças não permite que sejam já expostas, explicou Rowley, mas “há planos para as expor no Museu Pushkin após terem sido restauradas”.
A mesma equipa já anunciara em 2015 a descoberta de uma escultura de Donatello, representando São João Baptista, que viera da mesma torre berlinense e se encontrava muito estragada pela acção do fogo. “O que concluímos é que as esculturas que sobreviveram aos incêndios na torre eram feitas de mármore, bronze ou terracota, ao passo que as de gesso ou madeira desapareceram.” Tal como as pinturas, incluindo a de Caravaggio, que “muito provavelmente foram destruídas, simplesmente por causa do material de que eram feitas”.
Após a Segunda Guerra, as chamadas brigadas dos troféus do Exército Vermelho levaram da Alemanha Oriental mais de 2,5 milhões de obras de arte, vistas como reparação pelo saque e destruição que o património cultural soviético tinha sofrido às mãos das tropas alemãs durante os anos da guerra. Em 1958, num gesto amigável para o regime comunista da República Democrática Alemã, a União Soviética devolveu milhão e meio de obras, incluindo o longo friso em baixo relevo do Altar de Pérgamo, hoje exposto no Museu Pérgamo de Berlim. Crê-se que permaneçam ainda na Rússia um milhão de obras de arte levadas da Alemanha, para lá de milhões de livros e de vastos arquivos documentais.

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