Arte angolana no Instituto Camões

Nilza Massango |
15 de Junho, 2014

Fotografia: Dombele Bernardo

António Tomás Ana “Etona” está de volta às exposições. O artista plástico prepara uma mostra de pintura, escultura e performances, no Instituto Camões - Centro Cultural Português, em Luanda, com o título “Present Arte Etona 2014”.

A exposição é a resposta às inúmeras solicitações dos amantes das artes plásticas e é uma espécie de antecâmara de uma mostra ainda mais completa em Luanda, disse ao Jornal de Angola, o pintor e escultor Etona.
Esta mostra remete para a reflexão. Etona diz que na arte não se procura o bonito, mas sim a reflexão suportada pela estética artística. A exposição do dia 18 no Instituto Camões é mais um desafio para o artista que procura fazer sempre mais pela arte e pela cultura angolana. Depois de quase três anos sem exibir as suas obras ao público, o artista plástico promete surpresas. Várias peças de escultura e pintura estão preparadas para a exposição.
As obras de Etona são muito centradas nas inquietações sociais e nas preocupações do artista para com o ser humano. É um artista de intervenção social: “prefiro pintar a minha Mutamba, o meu Soyo ou os crimes contra os animais”, diz, prometendo que nesta exposição não vai ser diferente. Várias obras de intervenção social vão estar expostas.
Uma das obras da exposição é a “Sala 50”. De grande dimensão, o quadro “Sala 50” é uma crítica à sociedade e reflecte a situação do ensino das crianças. Interroga sobre o que se pode fazer pelo desenvolvimento do país. O artista conta que o quadro retrata uma situação de vida difícil, a realidade do país.
No quadro o artista descreve uma mulher que em vez de reagir às dificuldades da vida fica de mãos estendidas ao céu à procura de Deus e a espera que Ele faça alguma coisa por ela. No quadro, um homem sentado em vez de ajudar, acomoda-se. Depois aparece uma criança desnuda, com uma cadeira. “Hoje a situação está a mudar. Por isso não basta o Governo fazer, todos devemos fazer alguma coisa por nós”, disse.

Homem de cultura


António Tomas Ana “ Etona” é um homem de cultura e um dos artistas angolanos que através das suas obras consegue mergulhar profundamente na tradição cultural angolana. Inovador, Etona está sempre atento à promoção da cultura e dos valores éticos e morais, tendo na linha da frente as suas origens. O artista mostra nas suas obras os símbolos da cultura nacional.
O também secretário da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) quer fazer mais pelo seu país na arte e na cultura. Mas faltam oportunidades. Mesmo assim, quer trabalhar para o desenvolvimento da “casa dos artistas” e torná-la numa escola de formação artística.
Muitos artistas ignoram a UNAP, disse. Lamenta o facto de haver pessoas que ainda hesitam em investir na arte e na cultura. “É a cultura que cria barreiras às forças alheias à nossa vontade”, disse.
Etona defende que o artista “é aquele que consegue fazer tudo no fim do filme”. Para ele, o filme ainda não acabou. Ainda há muito por fazer em torno da arte, da cultura, do país.

A casa dos artistas

O edifício onde está a sede da União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP) está a beneficiar de obras. Uma grande parte do “palácio assobradado” está devoluta há alguns anos porque entrou em ruína.
A direcção da instituição funciona num espaço reduzido na Rua Rainha Ginga, na Baixa de Luanda. O edifício é considerado património nacional. Mas o espaço está subaproveitado. António Tomás Ana disse que a nova direcção da União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP) está a trabalhar para dar uma nova imagem à instituição e proporcionar aos artistas plásticos melhores condições de trabalho. A direcção a União de Artistas Plásticos ficou confinada à “Galeria de Maio”.
Todo o edifício da sede da UNAP vai beneficiar de obras de recuperação, ganhando uma nova imagem e salas de qualidade para os artistas e para os que vão visitar a sede. Com as obras, pelo menos dez salas estão a ser recuperadas.
A prioridade da nova direcção da UNAP é também velar pela instituição e fazer com que os artistas e as suas obras venham a ter cada vez mais valor no mercado nacional.
Etona tem trabalhos um pouco pelo mundo. O ano passado, como disse, deixou uma escultura num museu da Coreia do Sul e em Portugal.

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