Cultura

Arte contemporânea de Angola em exposição na África do Sul

Manuel Albano

Os artistas plásticos Ana Silva, Cristiano Mangovo, Januário Jano e Nelo Teixeira participam, pela primeira vez, na 11.ª edição da FNB Joburg Art Fair, que decorre de 6 a 9 de Setembro, no Centro de Convenções de Sandton, em Joanesburgo, África do Sul.

Artista plástico Nelo Teixeira é um dos quatro angolanos seleccionados a participar na edição da feira de arte deste ano
Fotografia: Eduardo Pedro|Edições Novembro

Promovido pela Galeria This Is Not A White Cube (TINAWC), a exposição, que tem como curadora a sul-africana Amy Ellenbogen, é considerada a maior mostra internacional de arte contemporânea do continente africano, de acordo com uma nota de imprensa da TINAWC.
Os quatro artistas angolanos vão apresentar trabalhos novos, criados especificamente para esta mostra. Ana Silva irá exibir seis obras com uma técnica mista de rendas, bordado, tecidos e tinta-da-china sobre acetato e uma instalação.
Nelo Teixeira criou quatro obras em acrílico sobre papel plástico reciclado, com rebordo em tecido. Januário Jano vai apresentar um trabalho em técnica mista, tecido, desenho e impressão fotográfica sobre tecido, enquanto Cristiano Mangovo criou três novas obras em acrílico sobre tela.
A FNB Joburg Art Fair é a principal feira de arte no continente africano e assume um papel crucial no apoio e promoção da arte contemporânea de África e da sua diáspora. A mostra constitui-se num espaço privilegiado de encontro para as principais galerias internacionais, artistas, colecionadores, pensadores e apreciadores de arte, que se reúnem no evento com o objectivo de reforçar a divulgação e o investimento na arte contemporânea africana.
Para a edição de 2018, foram seleccionadas  45 galerias de 14 países de África, Europa e dos Estados Unidos, com uma representação particularmente forte do continente africano que integra expositores de Angola, Etiópia, Gana, Moçambique, Namíbia, Nigéria, África do Sul, Uganda e Zimbábue.
Nesta edição, os artistas Ana Silva e Cristiano Mangovo estão nomeados para o prémio do Novo Artista Africano Mais Influente (Africa’s Most Influential New Artistic Talent). As votações são efectuadas no website da feira já a partir deste mês (http://fnbjoburgartfair.co.za/fnbjaf20/) e serão conhecidos os resultados no final da exposição.
Segundo a nota de im-prensa, as dinâmicas especiais da feira incluem uma série curatorial de projetos especiais, um programa VIP que vai receber diversos curadores internacionais e directores de instituições como Tate Modern, Bienal de Veneza, Centre Pompidou e Performa, além de um programa de palestras que convida figuras do mundo da arte, filósofos e críticos a participar em painéis de discussão e debate.

Conquista de espaços
Sónia Ribeiro, fundadora e directora da galeria This Is Not A White Cube firma que o trabalho dos criadores angolanos está a começar a ganhar um espaço pró-prio no panorama artístico internacional.
“São já vários os exemplos de artistas contemporâneos que mostram e são convidados a levar os seus trabalhos a alguns dos mais importantes espaços de divulgação de arte, um pouco por todo o mundo. Para a Galeria This Is Not A White Cube é um privilégio, mas também um orgulho, representar estes quatro artistas angolanos naquela que é a maior feira internacional de arte em África”, disse Sónia Ribeiro.
Este convite que a Galeria de arte sul-africana  This Is Not A White Cube faz aos quatro artistas angolanos “traduz, também, um reconhecimento da qualidade das criações destes artis-tas angolanos, e é o resultado de um percurso evolutivo natural, num mundo cada vez mais globalizado, onde a arte é uma linguagem universal”.
A FNB Joburg Art Fair também terá a oitava edição do FNB Art Prize, uma grande oportunidade para um artista realizar um novo trabalho durante a feira.

Jorge Carlos Fonseca na semi-final de prémio

O livro “O Albergue Espanhol” , do escritor e Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, está entre os 60 seleccionados para a semi-final do prémio Oceanos, considerado um dos principais troféus literários da língua portuguesa à semelhança do prémio Camões.
A lista foi divulgada na terça-feira, e de acordo com o jornal “Folha de São Pau-lo”, nesta que é segunda edição em que é aceite a participação dos autores de língua portuguesa de qualquer país do mundo, há um equilíbrio entre os brasileiros e autores de outras nacionalidades, como an-golana, portuguesa, cabo-verdiana e moçambica-na. Participaram também autores que não lusófonos, mas que escrevem em português.
Para o prémio 2018, concorreram 1.364 obras entre romance, poesia, contos, teatro. Desse total foram seleccionados 60 livros, representando apenas cerca de quatro por cento dos concorrentes.
De entre os 60 seleccionados está a obra “O Albergue Espanhol” , do escritor e Chefe do Estado cabo-verdiano Jorge Carlos Fonseca, cuja participação no concurso foi uma iniciativa da editora Rosa de Porcelana, Milton Hatoum, com “A Noite da Espera”, Sérgio Sant’Anna, com “Anjo Noturno”, Marcelo Mirisola, com “Como se me Fumasse”, Joca Reiners Terron, com “Noite Dentro da Noite” e Marília Garcia, com “Câmera Lenta”.
“O Albergue Espanhol”, de Jorge Carlos Fonseca, segundo informações publicadas no site do concurso, é a única das 11 obras apresentadas por escritores cabo-verdianos e uma das cinco vindas de escritores africanos, num total de 37 concorrentes.
Para Jorge Carlos Fonseca, “é uma enorme satisfação” ser seleccionado por júri especializado integrado por críticos literários, professores de lite-
ratura e investigadores, sobretudo do Brasil, de Portugal, para um leque restrito de escritores. “Estou muito feliz, claro, ver esse reconhecimento da crítica especializada internacional”, frisou.
Entre os 1.364, há no-mes sonantes como Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Manuel Alegre, Luís Carlos Patraquim, Nuno Júdice, Boaventura Sousa Santos, José Tolentino Mendonça, Sérgio Godinho, José Luiz Tavares, Vera Duarte e Rui Espinheira Filho.

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