Arte de Isabel Baptista


17 de Outubro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A artista plástica Isabel Baptista expõe entre 22 deste mês e 5 de Novembro, no Centro Cultural Português, em Luanda, um conjunto de pintura e instalação “A cor de cor”.

A artista regressa ao contacto com o público após mais de uma década de ausência, desde o encerramento da Galeria Cenários, que foi pioneira das Galerias de Arte no pós-independência em Angola.
No  espaço, Isabel Baptista catalisou toda a sua energia e criatividade como artista e como gestora, ao longo de largos anos, transformando-o numa referência e num ponto de encontro obrigatório de artistas e escritores, acolhendo centenas de actividades culturais, nas mais diversas expressões artísticas.
Em “a cor de cor” a artista brinda o público com pedaços de memória materializados em objectos diversos, que de comum têm a origem no universo feminino, onde  os foi recolhendo  ao longo dos  dez anos de ausência.
Isabel Baptista fala do seu trabalho e de si própria, na terceira pessoa,  como se saísse de dentro de si própria e se visse  reflectida num espelho,  durante longos anos, por entre digressões fotográficas e incursões na fotogenia dos seres e espaços envolventes, cruzou-se com mulheres e com elas trocou olhares, sorrisos e até peças de joalharia, bijutaria, coisas que, para muitos, não passavam de “tralha”, pedaços quebrados de beleza.
“Foi acumulando esses objectos em caixinhas, até se decidir  recriar  alguma coisa de bi-tridimensional, numa homenagem ao que presumiu ser belo, devolvendo-lhe sensorialmente um sentido de utilidade”, lê-se.
A artista traz a reconstituição dessas caixinhas de emoções guardadas, que lhe foram confiadas como se fossem tintas,  pincéis e com o afecto que a caracteriza  e a vontade que tinha de lhes devolver vida fê-las renascer com as suas mãos, acasalando-as com as suas telas com pigmentos, como ingrediente, em porções de cor,  que quer partilhar e até recomenda como cura, como terapia na tentativa de “anestesiar” o que vai menos bem neste mundo que se revela, a cada dia, mais difícil de ver com nitidez nas cores todas puras que tem.
“A exposição é um  apelo ao uso da cor de cor. Como se fosse uma  música, um filme fruído, um livro encantado, um hino de vida, como a mania de sim, porque sim. Porque se sabe de cor a cor. Ou não. Mas ali,  há um apelo à beleza capaz de nos acrescentar o seu melhor. A cor como cura”, adianta a artista.
Isabel Baptista nasceu em Luanda, onde  fez os seus estudos em pintura na antiga Escola Industrial, no final dos anos 60.
 Fez a sua primeira exposição individual em 1990, no Museu de História Natural de Luanda.

Livro de Cremilda de Lima

“Os Kandengues Desfilam no Carnaval” é o título do mais recente livro da escritora Cremilda de Lima cujo lançamento público está previsto para o próximo dia 20, no Centro Cultural Português - Instituto Camões, em Luanda.
De acordo com a autora, trata-se de um livro cuja estória se passa num bairro simples, de casas modestas e gente simpática, com vidas onde a cultura  está sempre presente.
Cremilda de Lima nasceu em Luanda e licenciou-se em Ciências da Educação Opção/Pedagogia na Escola Superior de Educação de Leiria. É professora do Ensino Básico e membro da União dos Escritores Angolanos.
Entre as múltiplas obras literárias publicadas pela escritora incluem-se, entre outros, “A Colher e o Génio do Canavial”, “A Kyanda e o Barquinho do Fuxi”, “O Maboque Mágico”, “O  Imbondeiro que queria ser Árvore de Natal”, “Kabulo o Rei”, “O Aniversário do Vovô Imbo”, “O Balão Vermelho”, “Os Patinhos no Parque”, “O Medo voou pela Janela”, “A Múcua que Baloiçava ao Vento”, “O Nguiko e as Mandiocas”, “O Sonho de um Roboteiro”, “Ulika e a Boneca”, Os Esquilos Super-Rápidos”, “Animais que Encantam”, “A Esfregona Dançarina” e “O Sabonete Teimoso”.

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