Cultura

Artes cénicas angolanas no palco de Moçambique

Manuel Albano | Maputo

A directora artística da Companhia Artes Sol, Solange Feijó, garantiu ontem, em Luanda, estar a trabalhar arduamente para apresentar no próximo dia 22, em Maputo, um espectáculo que reflicta a realidade sociocultural do país e dignifique as artes cénicas nacionais, em particular o teatro.

Grupo parte amanhã para representar o país na festa internacional do teatro de Maputo
Fotografia: DR

A companhia participa, pela primeira vez, na 16ª edição do Festival de Internacional de Teatro de Inverno de Moçambique (FITI), que decorre desde o passado dia 24 de Maio e termina a 23 deste mês. Para Solange Feijó, “é um marco importante na internacionalização do grupo.”

A encenadora informou que o grupo vai a Moçambique com uma caravana, que inclui actores e membros da direcção. Devido aos poucos recursos financeiros do grupo, vão apenas 4 pessoas. A viagem, adiantou, está marcada para amanhã, com regresso a 24, um dia após o encerramento do festival.
Solange Feijó acrescentou ainda que vão representar o país com a peça “Tomara que chova... Mas bem longe daqui”, um espectáculo assente, fundamentalmente, nos aspectos sociais da capital, criado para mostrar a realidade actual das sociedades modernas africanas. Além da participação no festival, destacou, o grupo espera criar parcerias e fortalecer as relações com os demais participantes.
A tragédia “Tomara que chova... Mas bem longe daqui” é baseada nos vários problemas sociais causados pela chuva em Luanda, tendo como ponto de partida os inúmeros transtornos que o fenómeno cria aos habitantes e governantes da capital.
Na peça, o administrador Cassova vivia o tempo todo preocupado com a chuva, por não ter feito o seu trabalho em condições. Se o céu ficasse escuro, corria rapidamente a consultar o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (Inamet). Porém, depois de tudo passar, não se preocupava em solucionar o problema.

Qualidade
Actualmente, o colectivo Artes Sol está a trabalhar, bastante, para exibir mais espectáculos de qualidade, especialmente agora com o convite para participar em festivais internacionais. A directora artística do grupo disse que também têm estado a fazer de tudo para apresentar peças com conteúdos actuais e capazes de reflectir a realidade social do país, com ênfase para os problemas dos citadinos.
Nos palcos moçambicanos, prometeu Solange Feijó, o Artes Sol vai mostrar o seu empenho pela qualidade, num espectáculo que já foi exibido, em que pretendem aprimorar mais alguns aspectos. “Escolhemos esta peça porque os problemas sociais nos países africanos são semelhantes, assim como os princípios de igualdade e transparência na gestão do erário”, explicou.
Para Solange Feijó, um país ou sociedade só se desenvolve com a participação e o contributo de todos os cidadãos. “É com esse optimismo que pretendemos mostrar como se pode viver numa sociedade mais equilibrada.”

O festival
Com espectáculos agendados para todas as sextas-feiras, sábados e domingos, a partir das 18h30, em vários espaços de Moçambique, esta edição do projecto conta com a participação de 25 grupos de teatro, de Angola, África do Sul, Swazilândia, Brasil, Portugal e Espanha, além de colectivos de artes moçambicanos.
O festival, realizado desde 2004, tem como objectivo dar oportunidades às companhias de teatro de apresentarem obras com temáticas generalistas, proporcionar o intercâmbio e capacitação em matérias ligadas ao teatro.

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