Cultura

Artes plásticas ganham espaço para promoção

Manuel Albano

O Atelier Guilherme Mampuya realiza hoje, a partir das 14h00, no Zango Zero, a segunda edição do projecto literário “Palavra Poética” e inaugura a exposição colectiva de artes plásticas denominada “Exótica”, em celebração ao seu primeiro aniversário de existência.

Mampuya está a transmitir a sua experiência em artes plásticas a jovens no Zango
Fotografia: Edições Novembro

A actividade tem início com o recital de poesia e “spoken word” na voz dos poetas Pedro Bélgio, Gino Sacramento, Otília Adriano, Zola Ramos, Vanésia de Almeida, Lourenço Mussango, Denis, Cláudio Artes e Flora Lando, que declamam poemas de sua autoria, numa actividade com a apresentação dos poetas Ismael Farinha e Cláudio Gomes.
 À margem dessa actividade, é também inaugurada a exposição colectiva de artes plásticas “Exótica”, com a participação dos artistas Isaac Pinto de Almeida, Sombra Andgraf, Serafim Serlon, Denise Luís, Uolofe, Jean Di Mampuya, Nehemias Kiala, Osvaldo Ferreira, Landrick Lusinga e Tadece.
De acordo com o programa vai ser igualmente  apresentada no Atelier Guilherme Mampuya a colecção de peças decorativas “Luanda”, numa homenagem à cidade da Kianda.
O músico Tchobolito, autor do sucesso “Mr. Papel”, é o convidado especial para abrilhantar a iniciativa. Apoiar actividades que promovam e incentivem a descoberta de novos talentos nas artes, de maneira a aproveitar melhor os tempos livres é o objectivo do Atelier Guilherme Mampuya, um espaço localizado no Zango, em Viana, que se pretende um local multifuncional para o apoio às artes.
O artista plástico Guilherme Mampuya disse que durante um ano, e de forma experimental, trabalhou basicamente sozinho, tendo realizado algumas parcerias com a Associação Tea Club, que tem desenvolvido várias actividades anualmente, para saudar o mês das crianças, e apoiado projectos de carácter sociais.
“Foi um experiência positiva, que resultou na realização do  Festival Infanto-Juvenil, que congregou dez modalidades artísticas”, explicou.
Actualmente, o artista trabalha com sete jovens talentosos, a quem  tem procurado transmitir os seus ensinamentos, bem como melhorar e corrigir algumas debilidades técnicas apresentadas pelos artistas. “Pretendo dar continuidade ao meu projecto de ensinar a pintar nos próximos anos, mas para isso gostaria também de contar com o apoios das instituições locais, por ser um trabalho de inserção dos jovens na sociedade através das artes”, justificou.
Ao longo desse um ano de existência, o espaço tem promovido debates sobre as artes e tem feito um acompanhamento das  actividades culturais desenvolvidas localmente, por iniciativas individuais e colectivas, que ajudam a dinamizar as artes no distrito do Zango. Mampuya espera que o seu “atelier”  contribua para o desenvolvimento das artes, como forma de poder moldar o comportamento da juventude local.
O Atelier Guilherme Mampuya passa a acolher o projecto “Palavra Poética”, que, na primeira edição, promoveu diversas sessões de poesias contadas e declamadas, música alternativa, venda de livros e sessão de autógrafos, bem como exposições de artes plásticas, em diferentes modalidades.
Guilherme Mampuya Wola nasceu na província do Uíge, em 1974. Em 2000, concluiu a sua formação superior em Direito pela Universidade de Kinshasa na República Democrática do Congo (RDC). Dois anos depois, ingressa no curso de Pintura Básica e mais tarde aperfeiçoa a técnica do retrato no atelier de pintura Honesto Nkunu, em Luanda.
Em 2005, ingressa na União dos Artistas Plásticos Angolanos (UNAP). Expõe com frequência, individual e colectivamente. Teve duas exposições para a Ensa-Arte, bem como já participou na Trienal de Artes de Luanda.
Além de diversas exposições individuais no país, Guilherme Mampuya já expôs na Galeria Bernardo Marques, em Lisboa, e, em Bruxelas, na Galeria Lumieres d’Afrique.

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