Artes têm escolas

Roque Silva|
6 de Janeiro, 2015

Fotografia: João Gomes

O Complexo das Escolas de Artes (CEARTE), em Camama, em Luanda, uma instituição que vai ajudar a aprimorar o talento artístico, através da formação científica, e preparar as novas gerações de artistas para cuidarem do desenvolvimento da cultura nacional, foi inaugurado ontem pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República.

A instituição, destacou Edeltrudes Costa, combina o talento à formação científica para fortalecer o desenvolvimento da cultura nacional. “A formação cultural é fundamental por representar a história de um povo e é parte dos objectivos do Plano Nacional de Desenvolvimento.”
O próximo passo é a selecção dos estudantes, que podem integrar o quadro discente da instituição, nos vários cursos, assim como a aprovação do estatuto orgânico da CEARTE.
A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, disse que o tipo de infra-estruturas constitui uma condição fundamental para o desenvolvimento. A experiência mostra que o desenvolvimento das artes e da cultura não pode ser concretizado sem que haja uma rede nacional de infra-estruturas culturais eficientes e operativas. “Um dos desafios do sector actualmente é promover a cultura para que seja um valor real de desenvolvimento social e económico. Todavia, as evidências fazem crer que ainda precisamos de mais infra-estruturas culturais à dimensão das suas necessidades”, disse.
A criação do CEARTE é a resposta clara do Executivo à grande lista de prioridades para o desenvolvimento de Angola. “Estamos a dar passos mais céleres em resposta ao percurso do Plano Nacional de Desenvolvimento, de modo a que cresçam a um ritmo mais acelerado as infra-estruturas culturais”, disse. O país pode deste modo atingir rapidamente níveis mais altos de capitalização das artes e da cultura, “como instrumentos suficientes de geração de empregos seguros, riqueza, qualidade de ensino, sensibilização e fortalecimento da angolanidade”.
Rosa Cruz e Silva adiantou que é através dessas estruturas que se materializam novos conceitos de cultura, por ser um local de formação, reflexão, assim como ampliação de conhecimentos sobre a preservação do património histórico-cultural e artístico.
“Foi longa a caminhada percorrida. Desde o inesquecível Barracão, onde se deram os primeiros passos depois da independência do país, para que um grupo de professores saídos das escolas profissionais de arte no período colonial atendesse a demanda de alunos que se tinha de formar. Um grupo de pioneiros de vários pontos de Angola frequentou as primeiras aulas, o que marcou a vontade dos dirigentes de dar formação à juventude interessada e vocacionada para as artes”, contou a responsável.
A classe artística em Angola está a conquistar hoje muitos lugares de destaque com o seu trabalho, em resultado da conjugação e da passagem de testemunho da antiga para a nova geração de artistas.

Caminho a percorrer

“Ainda temos uma longa caminhada a percorrer e imensas dificuldades, desde a falta de quadros para ensinar nas escolas que estão a ser criadas até à falta de infra-estruturas adequadas”, lamentou a ministra da Cultura.
As escolas de nível médio não resolvem o grande dilema da formação artística. Porém, reconheceu o talento que brota de vários cantos de Angola, produto da criatividade nacional, alguns provenientes de escolas normais e que fazem marca na produção artística.
Rosa Cruz e Silva, atendendo aos avanços no mundo contemporâneo e o desenvolvimento do país pelas directrizes do Executivo, chamou a atenção para a importância de se impor a institucionalização do ensino artístico no Ensino Normal em Angola. “Fruto dos acesos debates com os parceiros dos Ministérios da Educação e do Ensino Superior, concluímos que este passo é decisivo. O futuro Instituto Superior de Artes é um exemplo disso. Portanto, acreditamos que temos em pouco tempo a cadeia completa com o ensino elementar.”
O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ordenou a construção em 2006 da instituição e orientou o Vice-Presidente, Manuel Vicente, para acompanhar a fase de execução da obra e da produção de toda documentação legal. “Hoje a Cultura está em festa. O antigo ministro da Cultura, Boaventura Cardoso, e André Mingas, um dos mentores do projecto, deram o melhor de si para o aparecimento desse espaço. Os artistas, coordenados por Irene Guerra Marques, são os principais obreiros deste projecto artístico”, realçou a ministra Rosa Cruz e Silva.

Tarefas da instituição

Os preparativos para o início do ano lectivo começam na próxima semana, informou a ministra. O Complexo das Escolas de Artes (CEARTE) contempla dois edifícios, construídos de raiz, sendo o primeiro para artes e ofícios e o segundo alberga os dormitórios para os estudantes e professores em regime de internato.
Os professores são angolanos e cubanos, com destaque para alguns que leccionam no Instituto Nacional de Formação Artística, e os ex-bolseiros do Ministério da Cultura.
A área de formação tem 20 salas de aulas que vão receber 24 alunos cada, em dois turnos. O número de estudantes por sala varia em cada especialidade. Um único estudante, por exemplo, deve frequentar uma aula de piano e outra de guitarra.
Os interessados devem aprovar num exame de acesso livre, para todos aqueles que têm a nona classe feita. A instituição tem ainda uma biblioteca e laboratórios. O CEARTE tem como objectivo formar artistas profissionais em diversas áreas das artes visuais e plásticas, dança, música, teatro e cinema.
A instituição vai, além de preparar profissionais dotados de capacidades técnicas e artísticas, procurar inserir os formandos no mercado de trabalho.

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