Cultura

Artista destaca papel das artes africanas

Amilda Tibéria |

As artes plásticas africanas podem “quebrar o silêncio” e se impor a nível mundial, caso comecem a expandir as histórias sobre as suas origens, sob uma perspectiva diferente do ponto de vista estético, defendeu, em Luanda, a artista Keyezua.

Artistas Keyezua e Rita Gt mostram as recentes criações na galeria London Art Fair
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Como uma das convidadas da edição do projecto “Sisterhood is Forever”, que acontece a partir de hoje até ao próximo dia 21, na galeria London Art Fair, em Londres, Inglaterra, numa iniciativa da galeria Mov’art, a artista chamou a atenção relativamente ao papel decisivo que as artes africanas podem ter na mudança de uma visão estética e artística mundial.
A par da artista portuguesa Rita Gt, Keyezua é um dos nomes do projecto, que promete mostrar a grandeza das artes africanas. “Sisterhood is Forever”, explica, é a designação de uma série antológica sobre a história das mulheres e do feminismo, através da visão da activista e escritora Robin Morgan.
A inserção de um pouco da vida e quotidiano das mulheres angolanas neste projecto, abre, para a artista, novas portas para se ver a África, particularmente uma onde o feminino tem uma presença activa.
A exposição, sublinha, é resultante de uma colaboração entre artistas de Luanda e Lisboa, assim como outras de outros países, todas com o feminino como enfoque. A instalação, a ser exibida em Londres evoca “arquitecturas e imagens vernaculares angolanas, que usam a sátira e várias imagens exóticas africanas, por meio de pinturas e colagens, mas usando o corpo feminino como fonte de diálogo sobre irmandade”.
Ao todo são 24 mulheres de origem maori, curda, asiática e africana que sob a organização de Misal Adnan Yildiz, mostram trabalhos sobre a representatividade e recontextualização das mulheres.
Ao longo do trabalho, as artistas procuram estudar e mostrar a interação cultural como meio de adicionar um acordo justo à análise sobre as mulheres, bem como vários outros princípios emancipadores relacionados com o feminino.
O objectivo do projecto é proporcionar um clima de reflexão sobre as realidades e experiências vividas, fornecendo igualmente uma estrutura capaz de identificar estratégias que possam apontar o dedo às condições de opressão na sociedade contra as mulheres. Além de aumentar a visibilidade internacional e a relevância das mulheres nas artes em Angola e Portugal, a exposição serve ainda para criar um diálogo contínuo sobre “a criação de coalizões com base em afinidades e especificidades”.
“Luanda tem sido uma fonte onde ambas as artistas, exploram o conceito de irmandade através da identidade de novas práticas de colaboração África-Europa, feitas para irem além das identidades binárias nacionais e pós-coloniais”, disse.
A exposição, que é uma das atracções desta 30ª edição da London Art Fair, uma plataforma internacional de Diálogos, conta, pela primeira vez, com a participação feminina exclusiva de artistas cujos trabalhos abordam o género e a identidade cultural.

Perfil das artistas
Keyezua é uma artista angolana graduada pela Royal Academy of Arts. O seu trabalho explora o renascimento africano. Como contadora de histórias do contemporâneo, a sua arte cresce em histórias individuais, retratadas em filmes, pinturas, poemas e esculturas. Tem quadros expostos em Angola, Holanda, África do Sul, Estados Unidos, Inglaterra, Etiópia, Nigéria e Mali.
A outra artista convidada para esta exposição, assegurada pela galeria Mov’Art, é Rita Gt, que vive e trabalha entre Portugal e Angola. Licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2003), fez a pós-graduação na Escola Maumaus em Lisboa(2004/2005).
Interventiva e crítica, nas mensagens que transmite com a sua obra, a artista aborda temas como a memória, a identidade ou a importância da defesa dos direitos humanos. O facto de ter vivido em diferentes países faz com que tenha uma visão alargada, equacionando e valorizando diferentes culturas e pontos de vista da história.

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