Artista é contra crianças nas exposições


9 de Agosto, 2014

Fotografia: Reuters

O artista plástico Jake Chapman, um dos mais conceituados criadores britânicos, disse que actualmente os pais são muito “arrogantes” por acharem que os seus filhos compreendem arte.

Jake, um dos irmãos do conhecido duo “Chapman Brothers”, disse ao “The Independent”, que é impossível uma criança interpretar obras de arte complexas, como as produzidas, por exemplo, pelos pintores norte-americanos Jackson Pollock ou Mark Rothko.
Jake Chapman vai mais longe nos seus argumentos ao acrescentar que “pôr uma criança à frente de um quadro de Pollock é um insulto á obra e ao próprio artista”.
Alvo de críticas, um pouco por todo o mundo, Jake citou Pablo Picasso na entrevista ao “The Independent”, quando dizia: “Demorei quatro anos para pintar como Rafael e uma vida inteira para pintar como uma criança. É como dizer que uma criança vai compreender uma pintura cubista porque essa pintura é infantil.”
As palavras de Jake Chapman estão a provocar polémica entre especialistas em educação e crescimento infantil no Reino Unido. Beth Schneider, directora da Academia Real de Artes em Londres, declarou ao “The Independent” ser importante estimular as crianças quanto à arte, acrescentando: “Não penso que o facto de uma criança apreciar arte diminua o reconhecimento ou a complexidade que as grandes obras podem ter.”
Também Anthony Gormley, escultor e vencedor do Prémio Turner em 1994, se insurgiu contra os comentários de Chapman: “Penso que a arte não deve ser compreendida, mas sim experimentada”, disse ao “The Times”.
O artista Jake Chapman, pai de três crianças, já esteve nomeado em 2003 para um Prémio Turner, juntamente com o irmão, Dinos Chapman. Filhos de um professor de arte britânico, os irmãos foram criados em Cheltenham e frequentaram a Universidade de East London de Arte. Os dois começaram a sua própria colaboração artística, em 1991.
Actualmente, os irmãos têm trabalhado com peças de modelos de plástico ou fibra de vidro de manequins. O seu trabalho inicial consistia em cenas de tortura e mutilação, semelhantes aos gravados por Francisco Goya, na série “Os desastres da guerra”,  obra que depois foi reproduzido em pequenos modelos tridimensionais de plástico.

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