Artista pede mais apoios para o sector


20 de Março, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A artista Fineza Teta destacou a importância de ser feito um maior investimento e aposta na educação cultural, de forma a incentivar a criação artística e a afirmação das artes plásticas angolanas no mundo.


A criadora adiantou que a falta de uma educação cultural influencia bastante a percepção que as pessoas podem ter sobre o valor de uma obra de arte. “Para ser um bom apreciador de arte deve-se conhecer esta primeiro. No país, infelizmente, existem pessoas que compram uma obra só para impressionar e não porque a considera com um certo valor artístico”, disse.
“Quando falo em educação cultural estou a falar do facto de existirem pessoas que não conseguem entender o valor da arte. Chegam a uma galeria e querem comprar um quadro a 80 mil ou 100 mil kwanzas, porque viram o mesmo valor no mercado de artesanato. Estas pessoas acham que uma peça de artesanato tem o mesmo valor. Esquecem que a arte é única e o artesanato é uma reprodução. A própria forma de apresentar o material, bem como a preparação de uma galeria ou uma exposição nada tem a ver com o que é visto no mercado de artesanato”, reforçou.
Fineza Teta adianta à Angop que, além da educação cultural, o país carece de mais investimentos no sector cultural. “Os empresários precisam de aproveitar os benefícios da Lei do Mecenato. Sabemos que a partir do momento em que alguém dá mostras de que está a fazer algo para determinado segmento cultural tem a princípio alguns benefícios, consubstanciados na isenção de alguns impostos.”
A União Nacional dos Artistas Plásticos, lamentou, não tem capacidade para um trabalho neste sentido sem o devido apoio. “Ainda estamos mentalizados de que o Governo deve fazer tudo, mas não pode e não deve ser assim. É uma acção que deve envolver a classe empresarial angolana. Se continuarmos à espera que o Governo faça um papel que nos cabe, então não vamos conseguir nada”, assegurou.
Fineza Teta, há dez anos nas artes, já venceu cinco prémios, três pela Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA). A artista nasceu e iniciou a sua formação académica em Luanda. Posteriormente, concluiu a licenciatura em Artes Visuais e Design, na África do Sul. Em menos de uma década participou em diversas exposições colectivas e ganhou vários prémios.
Em 1998 recebeu uma Menção Honrosa no Prémio Ensa/Arte, pela obra “Casamento”, na qual procura lançar um olhar crítico sobre algumas realidades discriminatórias em relação à mulher, que ainda marcam as sociedades contemporâneas da maior parte dos países do mundo.

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