Cultura

Artistas analisam “makas” das eleições na UNAC-SA

Manuel Albano |

O espaço cultural Grémio, no bairro Marçal, em Luanda, acolhe hoje, às 9h30, o primeiro encontro deste ano dos membros do núcleo “A Voz do Artista”,  para analisar as dificuldades que cantores, compositores e instrumentistas enfrentam.

Situação dos cantores e compositores angolanos hoje em análise no espaço cultural Grémio
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Francisco Mendes, mais conhecido por “Soky dya Nzenze”, membro do núcleo, disse ao Jornal de Angola que a intenção é fazer um balanço das actividades e informar os membros e amigos do núcleo “A Voz do Artista”, sobre a situação das eleições adiadas, bem como o estado da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA).
Adiantou que vão aproveitar recordar os feitos de alguns artistas, que contribuíram para a afirmação de diferentes estilos musicais.
Esclarecer as razões da recolha de assinaturas de vários artistas, ouvir depoimentos sobre o espaço, para contribuir no desenvolvimento da classe artística, é um dos objectivos do encontro.
As eleições à presidência dos novos corpos directivos da UNAC, previstas para 17 de Agosto de 2018, foram adiadas “sine die” por  decisão do Tribunal Provincial de Luanda, segundo declarações do coordenador da Comissão Nacional Eleitoral, António de Oliveira, que na altura deu a conhecer o adiamento ao Jornal de Angola.
António de Oliveira “Delon” informou que a decisão do Tribunal de Luanda surgiu na sequência da providência cautelar interposta pela lista B, liderada por Belmiro Carlos, com carácter suspensivo do acto eleitoral, devido a supostas irregularidades. “Recebemos a nota do Ministério Público, na qual o despacho do procurador aconselha-nos a adiar as eleições, para que os integrantes da lista B possam argumentar os fundamentos da providência cautelar que remeteram ao Tribunal de Luanda”, disse Delon.
O coordenador da Comissão Nacional sublinhou que, segundo o Tribunal de Luanda, as eleições podiam ser realizadas na data prevista, sob pena de serem anuladas, caso se provasse as supostas irregularidades no processo apresentadas pela lista de Belmiro Carlos. “Por essa razão, a Comissão Nacional Eleitoral, após um encontro com o advogado, decidiu adiar ‘sine die’ as eleições na UNAC”.
No dia 17 de Agosto de 2018, a lista B divulgou uma nota de imprensa, em que justificou que “interpôs a providência cautelar junto do Tribunal da Província de Luanda por reunir provas bastantes, que atestam que o processo não está a decorrer com lisura, transparência e a imparcialidade requeridas, situação que ficou por demais evidente, com a confusa divulgação e rectificação dos cadernos eleitorais das províncias de Cabinda, Malanje, Benguela e Huambo e a recusa de vistoria conjunta aos processos físicos dos artistas constantes no caderno eleitoral de Luanda, que curiosa e estranhamente, é a única província declarada apta no seu todo, pela Comissão Nacional Eleitoral.”
Em reacção ao comunicado de imprensa da Lista B, Zeca Moreno, que encabeça a lista A, apelou à classe, em particular os eleitores, para observância da calma, uma vez que as eleições não foram impugnadas.
Naquela altura, Zeca Moreno encorajou os associados a manterem-se calmos e pacientes, uma vez que o processo demora alguns dias, mas que a verdade será esclarecida. “Hoje, 17 de Agosto de 2018, deviam os artistas angolanos, regularmente inscritos na UNAC-SA, exercer o seu direito de voto, nas províncias de Benguela, de Cabinda, do Huambo, de Malanje e de Luanda, um acto inédito na história da organização, desde os 30 anos da sua fundação, por haver duas listas a concorrer ao pleito eleitoral”, disse então.
Por decisão da Assembleia Geral da UNAC-S.A., em reuniões realizadas nos dias 5 de Maio e 22 de Junho de 2018, os associados estavam ansiosos em eleger os órgãos sociais da organização de forma pacífica, inclusiva e séria. Passados cinco meses, o sonho continua adiado “sine die”.


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