Artistas angolanos atraem o público em Maputo

Mário Cohen |
21 de Julho, 2015

Fotografia: Samy Manuel

A diversidade artística e temática dos artistas angolanos tem atraído centenas de pessoas, que têm visitado os stands nacionais montados na VII Bienal de Jovens Criadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Maputo, informou ontem ao Jornal de Angola o secretário da Brigada Jovem de Artistas Plásticos (BJAP).

Para Adão Mussungo, a adesão do público mostra o interesse que os artistas angolanos têm demonstrado no mercado internacional e a vontade das pessoas conhecerem um pouco mais sobre a realidade nacional.
O país, acrescentou o responsável, participa na actividade, que encerra hoje, com uma delegação composta por 30 artistas, dentre os quais se destacam alguns jovens membros da BJAP, como Amândio Vemba, Dito Pacheco, José Bento Tchivela e Paulo Chavonga.
“Fizemos uma escolha diversificada, com artistas de Luanda e de Benguela, de forma a mostrar que o crescimento das artes não tem acontecido somente na capital do país, mas também no interior, onde existem criadores com muito talento para vincar no mercado nacional ou internacional”, disse Mussungo.
Além de mostrar o potencial, os jovens artistas, explicou, pretendem aumentar também o intercâmbio com os criadores de outros países da CPLP, assim como assinar novas parcerias de cooperação. Adão Mussungo adiantou ainda que o secretário-geral da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), António Tomás Ana “Etona”, incentivou-os a participar com zelo e dedicação, por ser uma oportunidade para mostrar o potencial das criações artísticas, através de várias disciplinas.

Rever a ideia


O ministro da Juventude e Desporto de Moçambique disse ontem que a Bienal é uma oportunidade de rever o pensamento sob o qual foi criado a CPLP, através de uma visão artística dos seus jovens criadores. Fernando Sumbana Júnior considera ainda a VII Bienal um caminho para mostrar o actual progresso dos países membros da CPLP, através das artes, que “expressam os desafios e as necessidades de cada um deles, a partir do ponto de vista dos seus jovens”. “A ideia é criarmos uma nova base de conhecimentos, assente nos originais, mas onde exista uma maior valorização das tradições de cada país e maior representatividade das suas identidades”, justificou o ministro da Juventude e Desporto de Moçambique.
O dirigente mostrou também a sua satisfação pela forma como a actividade tem sido organizada, assim como reconheceu o esforço dos países membros da CPLP em manter a sua regularidade.

Língua e cultura

Angola foi o país convidado a abrir, na sexta-feira última, a sétima edição da Bienal de Jovens Criadores da CPLP e fê-lo com um espectáculo de música, onde despontaram nomes como Maya Cool, que interpretou “País Novo”. O público mostrou uma recepção positiva durante o espectáculo do primeiro país convidado. Depois foi a vez de Portugal participar na actividade, realizada no Centro Cultural Universitário Eduardo Mondlane, onde apresentou, entre os destaques, a leitura de um poema de Mário Cesariny, que recebeu várias ovações.
São Tomé e Príncipe foi o convidado seguinte e participou com a actuação de um dos seus jovens talentos da música. Em seguida actuou a delegação de Timor-Leste, que convidou a sua actual “miss” para actuar.
O país anfitrião, Moçambique, fez-se representar com um vasto colectivo, no qual a música e a dança foram as maiores referências.
A cerimónia de abertura foi marcada pela ausência do Brasil, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial na Bienal, que foi criada com o objectivo de aproximar mais as culturas de nações irmanadas por uma herança histórica, pelo idioma e uma visão compartilhada do desenvolvimento e da democracia.
As Bienais de Jovens Criadores da CPLP são uma das plataformas de aproximação criadas pelos países membros desta comunidade de países, como forma de promover as culturas junto das gerações mais novas, num espaço de diálogo e intercâmbio multicultural.
O surgimento das bienais deu-se na I Cimeira de Ministros da Juventude e Desporto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realizada em Lisboa, em 1996. Cabo Verde albergou o primeiro encontro, dois anos depois (1998).
Até ao momento já foram realizados pela organização sete encontros internacionais, o último foi aberto sexta-feira, na cidade de Maputo, sob o lema “Juventude e Cultura Reforçando os Laços de Amizade”.

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