Artistas chamados a massificar a cultura angolana

Mário Cohen |
24 de Junho, 2016

Fotografia: José Soares |

A busca de soluções para a resolução dos problemas que afligem os artistas nacionais e promotores culturais de Luanda foi, ontem, o tema de um encontro de auscultação, realizado pela ministra da Cultura, no Cine Atlântico, na capital do país.

Durante o encontro, que contou com a participação das associações culturais da capital, Carolina Cerqueira exortou os artistas a apresentarem as suas criações junto das comunidades nos municípios, comunas e zonas rurais. 
Para a ministra, a medida vai permitir que as populações das zonas rurais tenham maior conhecimento do trabalho desenvolvido pelos criadores nacionais, uma vez que muitos desses artistas têm notoriedade no estrangeiro, mas não são conhecidos no país.
Carolina Cerqueira disse que, para que a cultura seja para todos, ela deve ser feita na rua, nos jardins e nas comunidades, não necessitando necessariamente de grandes palcos para os amantes das artes apreciarem as criações artísticas. Adiantou que muitos artistas estão mais interessados em pisar grandes palcos no estrangeiro, sem antes fazerem o trabalho de casa.
A titular da pasta da  Cultura, que no mês passado trabalhou nas províncias do Cuanza Norte e Malanje, onde auscultou e tomou nota das principais preocupações apresentadas pelos criadores daquelas regiões, disse que os encontros são uma orientação do Presidente da República, José Eduardo do Santos, que está preocupado com a situação actual dos artistas angolanos.
O objectivo dos encontros é ouvir as preocupações e os problemas enfrentados pelos artistas dos vários domínios das artes no desenvolvimento das suas actividades artísticas, de maneira a encontrar respostas e soluções para os desafios que se avizinham.
“Os encontros estão a ser proveitosos e vamos trabalhar para encontrarmos uma saída para os problemas que afectam os artistas angolanos, mesmo sabendo da actual situação socioeconómica que o país vive”, sublinhou a ministra.
Carolina Cerqueira afirmou que o lema do Ministério da Cultura para este ano é levar a cultura aos bairros e municípios de Luanda, de modo a que as populações beneficiem “das nossas culturas e artes”.

Associações culturais


O presidente da Mesa da Assembleia da Associação dos Profissionais do Cinema e Audiovisual (Aprocima), Óscar Gil, é de opinião que entre 15 e 20 por cento do Orçamento Geral do Estado (OGE) deveriam beneficiar os artistas, o que permitiria à classe desenvolver actividades culturais com mais frequência, elevando assim a imagem dos fazedores de arte.
Para o realizador, é importante aumentar a produção cinematográfica em Angola, com pelo menos um filme por ano.
“O cinema é também uma ferramenta essencial para a diplomacia ao levar um pouco da história de cada país aos festivais internacionais.”
Para Óscar Gil, fazer cinema e televisão é muito caro em qualquer país do mundo, portanto é importante a produção de filmes de qualidade e realizadores bem financiados, cujos projectos ajudem a incentivar o cinema nacional. “O país precisa com urgência  de uma rede de distribuição nacional”, reforçou.
O encontro de ontem, reforçou, é louvável e espera que ajude os artistas a encontrarem mais possibilidades de firmarem os seus projectos. “Sabemos que o país tem outras prioridades como a saúde e a educação, mas não devemos esquecer que a cultura engrandece a nação”, disse.
O secretário-geral da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) considerou a arte uma verdadeira plataforma industrial, capaz de trazer não só receitas consideráveis para o país, como também potencializar os seus profissionais. Mas para isso, disse António Tomás Ana, é preciso existir ordem, disciplina e estrutura funcional.
As artes,  principalmente, as plásticas, destacou, envolvem elevados custos. “A falta de classificação dos profissionais, a ausência de quadros especializados e a desordem que se verifica no sistema artístico permitem que algumas instituições estrangeiras e alguns angolanos com menos patriotismo desvalorizem a identidade nacional”, rematou.
O representante da Associação Angolana de Teatro, Orlando Domingos, sugeriu a criação de um festival teatral de âmbito nacional, com periodicidade regular.

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