Artistas passam testemunho a jovens

Victória Quintas | Huambo
10 de Abril, 2016

Fotografia: Francisco Lopes | Huambo

Os artistas plásticos Pedro Hospital e Eduardo Vitória Manuel estão empenhados na formação de jovens. Os dois abriram na cidade do Huambo ateliers de formação em pintura e escultura.

O atelier PeHartes está instalado no bairro Calilongue, no pátio da residência de Pedro Hospital, pintor há mais de 40 anos, que recebe diariamente um grupo de 15 formandos, com idades compreendidas entre os 10 e 18 anos.
Durante os dias úteis da semana, o grupo reparte o seu tempo entre os estudos escolares e a aprendizagem no atelier, onde não falta ocupação. A vocação natural das crianças e adolescentes é desenvolvida pelo mestre, que já viu o fruto do seu trabalho compensado por antigos alunos como Antónia Soma, filiada na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e autora de várias exposições.
Pedro Hospital disse conhecer muitos jovens que revelam uma vontade enorme em pintar, mas vêm o seu objectivo limitado por falta de apoio material. “Normalmente, usamos tintas acrílicas e tintas de óleo industrial, sobretudo para as pinturas de material reciclável, mas a tinta acrílica é mais difícil de adquirir, porque só aparece em Luanda ou temos que consegui-la por encomenda a partir de Portugal ou África do Sul, já que no Huambo não se consegue”, explica o mestre.
O artista plástico superou há muito essa dificuldade, pois consegue viver da arte, por intermédio da venda de telas em exposições e a clientes habituais, nacionais e estrangeiros.
Pedro Hospital dirige o núcleo da UNAP no Huambo, que congrega 67 pintores, escultores, e artesões.

Escultura sacra

O criador de arte sacra, Eduardo Vitória Manuel, de nome artístico Droy, começou a interessar-se pela escultura em 1981, mas interrompeu a sua actividade artística enquanto cumpria o serviço militar obrigatório. Hoje tem um atelier no bairro da Canata, onde dá formação a sete aprendizes, com idades entre 11 e 18 anos. Droy lamenta que o mercado das artes plásticas no Huambo seja restrito, o que força os criadores a comercializar as obras em Luanda, pois não há feiras permanentes na cidade e os principais compradores são estrangeiros. A preferência dos clientes por esculturas em pau-preto cria transtornos a Droy, pois é difícil adquirir essa madeira preciosa do norte do país, originária de Cabinda, Uíge e Zaire, a partir do Huambo. “Já apresentámos esta preocupação ao Ministério da Cultura, na pessoa da antiga ministra, aquando da sua vinda a 8 de Janeiro, que deixou orientações para que se façam as referidas feiras permanentes e já existe espaço para o efeito”, disse o escultor.
A chefe do Departamento da Acção Cultural da Direcção Provincial da Cultura, Victorina Navimbi, confirma a existência de um espaço no mercado da Quissala, arredores da cidade do Huambo, para a exposição e venda de obras de arte.
“O espaço definitivo para as exposições vai estar no Centro Cultural do Huambo, cujas obras estão em fase de conclusão”, adiantou a chefe do Departamento de Acção Cultural. Victorina Navimbi anunciou ainda que o largo adjacente à Direcção Provincial da Cultura vai ser pavimentado, para albergar exposições de artesanato.

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