Artistas precisam de editoras especializadas

Adriano de Melo
20 de Agosto, 2015

Fotografia: REUTERS

A falta de editoras especializadas em banda desenhada tem sido um dos maiores entraves ao desenvolvimento desta arte em Angola, lamentou, ontem, em Luanda, a assessora cultural da Alliance Française de Luanda.

Noémie Sido disse que o talento dos artistas angolanos, particularmente os jovens, acaba por ser prejudicado, pois ainda não existe uma forma destes o divulgarem. As maioria das editoras existentes em Angola ainda não têm olhado para a banda desenhada como uma forma de arte expressiva.
Este é um quadro a ser invertido urgentemente, porque a banda desenhada é uma forma de expressão artística muito importante no aprendizado, em especial das crianças, que tendem a associar as imagens a escrita, disse Noémie Sido, que acrescentou: “A banda desenhada em Angola tem muita criatividade e é feita por jovens talentosos. O Luanda Cartoon reflecte isso, ao apresentar os criadores nacionais e internacionais. Porém o actual espaço para a banda desenhada angolana ainda pode ser mais ampliado.”
A aposta no mercado da edição é, para Noémie Sido, a solução e está deve passar  não só pela publicação de livros, mas também por um maior acesso desta ao público. “Os livros do género ainda são, na maioria das vezes, muito caros.”
A Alliance Française de Luanda, adiantou Noémie Sido, pretende apostar mais no intercâmbio cultural com o país e tem em carteira outros projectos, como a vinda, no próximo mês, de uma companhia circense.
“Queremos aumentar a ponte cultural entre os dois países, de forma a conhecermos um pouco mais da realidade de cada um. O Luanda Cartoon tem sido uma janela há quatro anos para tal, mas acreditamos que é possível ampliarmos mais os horizontes”, defendeu.
Além do convite ao cartoonista gabonês Pahé, para esta edição do Luanda Cartoon, Noémie Sido informou que são apresentados vários filmes de animação. A maioria dos filmes, explicou, são produções francesas, que vão ajudar as pessoas a conhecerem um pouco melhor a realidade daquele país europeu.
“Queremos ajudar na formação dos profissionais angolanos da animação e por isso pedimos ao cartoonista Pahé para falar um pouco sobre a importância da banda desenhada e a sua relação com o cinema de animação.”
Noémie Sido informou ainda que em Novembro a Alliance Française de Luanda realiza uma conferência sobre o clima, com a participação de uma especialista do clima e do meio ambiente.

O convidado

O artista gabonês Pahé, um dos convidados  do festival, participa ainda da exposição colectiva e é o orador de um seminário sobre “Como adaptar uma banda desenhada para a animação”.
O seminário, que tem a duração de três dias, é realizado no dia 22, das 10h00 às 12h00, e a 24 e 25, das 17h00 às 18h30, no Instituto Camões, em Luanda.
A actividade termina com a outorga dos diplomas de participação, dia 26, às 18h00, na Mediateca de Luanda. As participações ao concurso são grátis, mas existe um limite de vagas disponíveis.
Pahé (Patrick Essono Nkouna) é um cartoonista, caricaturista e desenhador de imprensa de renome. Nascido no Gabão, em 1971, na cidade de Bitam, Pahé “nasceu com um lápis na mão” para muitos dos críticos mundiais especializados em banda desenhada.

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