Cultura

“As Aventuras de Ngunga” eleito como o melhor livro

Mário Cohen

Pepetela, Prémio Camões 1997, considerou “As Aventuras de Ngunga”, escritas em 1972, numa época em que Angola ainda vivia sob o jugo colonial, como sendo o seu melhor livro de todos os tempos, por narrar uma história muito importante para ele.

Prémio Camões 1997 conversou com leitores, quinta-feira, no programa “Textualidade”
Fotografia: AGOSTINHO NARCISO | EDIÇÕES NOVEMBRO

Falando na primeira edição do ano do programa “Textualidade - Conversa com Leitores”, realizado quinta-feira, no Memorial António Agostinho Neto (MAAN), em Luanda, Pepetela disse que a grande importância do livro “As Aventuras de Ngunga” tem a ver com o facto de o mesmo ter sido escrito numa altura  em que havia pouco material de leitura no país.
Sobre o trabalho literário produzido pela nova geração, o escritor garantiu existir um esforço dos jovens em melhorar os trabalhos, razão pela qual “tem havido boa frequência editorial, porque quase todas as semanas são publicados livros.” Pepetela afirmou que “os angolanos têm muito jeito para contar histórias.”
O Prémio Camões 1997 reconhece existir muita potencialidade para o futuro, mas aconselha os jovens a trabalharem muito e “não devemos ser muito benevolentes. Temos que ser duros e ter a capacidade para dizer que este produto ainda não está bom, para o bem da literatura”, disse.
O autor de “Mayombe” não só está preocupado com o actual momento da literatura angolana, mas também inquieto com a literatura mundial, tendo reconhecido que os livros estão caros no país e as pessoas que gostam de ler, normalmente, não têm dinheiro.
A actividade, disse o escritor, foi uma conversa aberta onde os leitores procuraram saber o segredo que tem para escrever as obras, que são muito lidas por uma boa parte da sociedade angolana e no estrangeiro, uma vez que Pepetela tem livros traduzidos em diversas línguas.
Para Pepetela, é sempre gratificante estar com os leitores, porque eles lêem os livros e ouvem falar do escritor, é lógico que têm questões a expor.  Durante a actividade, estiveram à disposição dos leitores várias obras do autor, com destaque para  “O Quase Fim do Mundo”, “Muana Puó”, “Yaka”, “Se O Passado Não Tivesse Asas”, “O Cão e os Caluandas”, “Jaime Bunda e a Morte do Americano”, “Mayombe”, “O Planalto e a Estepe”, “A Gloriosa Família”, “Lueji, O Nascimento de um Império”, “Parábola do Cágado Velho”, “O Tímido e as Mulheres”, “Jaime Bunda- Agente Secreto”, “Predadores” e “Sua Excelência de Corpo Presente”, este último lançando em Setembro, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda.
“Sua Excelência de Corpo Presente” é o 12º romance de Pepetela, que se desenrola num tempo recente, num local indeterminado de uma qualquer nação africana. Do protagonista e contador, não se conhece o nome, apenas se sabe que foi presidente de um país africano e que teve morte súbita, atingido por uma maldita doença que apanhou a todos desprevenidos.
Pepetela, de nome próprio Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, nasceu em Benguela, em 1941. Licenciou-se em Sociologia, em Argel, durante o exílio. Foi guerrilheiro do MPLA, político e governante.
A partir de 1984, foi professor na Universidade Agostinho Neto (UAN), em Luanda, e tem sido dirigente de associações culturais, com destaque para a União de Escritores Angolanos e a Associação Cultural Recreativa Chá de Caxinde e presidente da mesa de assembleia-geral da Academia Angolana de Letras.
Em 1997, foi lhe atribuído o Prémio Camões, confirmando o seu lugar de destaque na literatura lusófona.

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