Associação trabalha para uma maior divulgação da arte no país

Adriano de Melo |
27 de Março, 2016

Fotografia: Paulino Damião |

O teatro angolano tem vivido bons dias, desde os seus primeiros passos. Hoje o que os grupos nacionais buscam é mais espaço e oportunidades para mostrarem o seu potencial, quer a nível nacional ou internacional, em festivais de teatro.

 Para uma melhor organização, os actores criaram a Associação Angolana de Teatro (AAT), que, com uma nova direcção, pretende chegar a todo o país e ajudar a desenvolver as artes cénicas e os seus fazedores.

Jornal de Angola - Quais são as prioridades para este ano?

Adelino Caracol -
Numa primeira fase pretendemos constituir as representações da Associação Angolana de Teatro, a nível das províncias e da maioria dos municípios do país, de forma a responder o mais rápido possível as necessidades dos grupos.

Jornal de Angola - A associação tem alguma para apostar mais?

Adelino Caracol
- Agora que já houve a legalização da associação, em termos jurídicos, o objectivo agora é procurar conquistar novas parcerias e procurar transformar a instituição numa organização mais ampla e inclusiva.

Jornal de Angola - Quais os projectos concretos para maior divulgação e valorização do teatro?

Adelino Caracol -
A  prioridade é  criar representações da associação em todas as províncias. Mas antes vamos fazer um diagnostico total com um censo a nível do país, porque há a provinciais com especificidades próprias, assim como têm regulamentos para a actividade do actor. Outra meta é a  formação e a criação de novas parcerias estratégicas com os órgãos de imprensa.

Jornal de Angola - Qual a sua opinião sobre o casamento entre o teatro e a televisão em Angola?

Adelino Caracol -
É um intercâmbio benéfico, na medida em que há maior divulgação do trabalho dos actores. Porém, ainda é preciso existir um regulamento adequado, para que as partes envolvidas estejam felizes.

Jornal de Angola - Quanto a profissionalização dos actores?

Adelino Caracol -
Ainda temos de trabalhar nas questões normativas a nível da legislação laboral, que ainda não tipifica concretamente a actividade do actor. Mas vamos trabalhar, em parceria com o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, para materializar este projecto. 

Jornal de Angola - Na formação  têm algum projecto?

Adelino Caracol -
Actualmente, para o bem do teatro,  estão a ser dados muitos passos. Hoje temos duas escolas de ensino das artes, uma de nível médio e outra superior: o Instituto Superior de Artes (ISART) e o Complexo das Escolas de Artes (CEART). Agora é preciso alargar as formações às províncias e tornar regulares as oficinas cenotécnicas.

Jornal de Angola - A associação tem algum projecto de colaboração com instituições   estrangeiras?

Adelino Caracol -
Sim temos, mas no momento ainda estão a ser feitos alguns acertos. Na altura certa os projectos são divulgados.

Jornal de Angola - Como está a ser feito o legado dos actores?

Adelino Caracol -
É uma das preocupações da maioria dos grupos. Mas já temos visto alguns trabalhos a nível do teatro para crianças. Porém precisamos de maior divulgação destes trabalhos. Hoje existem também vários grupos com núcleos de formação e algumas escolas do ensino público que têm desenvolvido essa arte. Apesar disso ainda existe muito por se fazer.

Jornal de Angola - O teatro comunitário, que aproximava a arte do público, está a desaparecer?

Adelino Caracol -
Não. Os grupos continuam a fazer os seus trabalhos nas comunidades. Alguns têm até saído a rua para trabalhos muito específicos. O Julu, por exemplo, tem feito este tipo de teatro nas eleições, nas campanhas de luta contra a pólio, assim como muitos outros grupos. Os grupos têm estado sempre dispostos a colaborar com o Estado para sensibilizar as comunidades.

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