Atraso nos subsídios prejudica grupos

Mário Cohen |
19 de Dezembro, 2015

Fotografia: Kindala Manuel

O atraso na entrega dos subsídios e de outros apoios materiais aos grupos carnavalescos de Luanda está a criar graves problemas aos agrupamentos, que têm apenas 41 dias para se prepararem condignamente.

O presidente do Sagrada Esperança, grupo vencedor da edição passada do Carnaval, disse ontem estar com problemas financeiros, que tem dificultado a preparação adequada do grupo para revalidar o título.
Manuel da Rocha disse que a Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL) não deu ainda os subsídios e os apoios materiais e isso está a criar problemas aos elementos, que podem levar o grupo a não participar no Carnaval. “Está a ser muito difícil para o grupo treinar, ou preparar-se convenientemente sem estes apoios”, disse.
O presidente revelou que o dinheiro obtido pela vitória do Carnaval deste ano serviu para reabilitar a sede do grupo. “Até ao momento não recebemos nenhum apoio local”, lamentou, acrescentando que “quando o grupo ganha  muitos aparecem para celebrar, mas agora ninguém tem estado disponível”.
A Administração do Distrito do Rangel deve apoiar o grupo, como uma forma de ajudar os grupos a se organizarem melhor. “A participação de um grupo numa manifestação como o Carnaval é sinal positivo para o próprio distrito”, disse Manuel da Rocha. O presidente do União Mundo da Ilha é da mesma opinião. Porém, António Custódio disse que o grupo tem ensaiado sem problemas, apesar do atraso da APROCAL. “A existência do subsídio é essencial, mas é preciso que o mesmo tenha um valor mais elevado este ano”.
António Custódio afirmou que os tecidos entregues pela APROCAL são muito poucos para costurar as indumentárias para grupos com muitos integrantes. “Não culpamos a APROCAL pelo atraso na entrega dos subsídios, porque a associação é só uma ponte para as ajudas chegarem aos grupos.”
O União Mundo da Ilha continua a ensaiar no período da noite e a alegoria já está montada, disse, acrescentando que apenas estão à espera dos patrocinadores, para custearem as demais despesas. Caso os patrocínios não cheguem a tempo, revelou, o grupo corre o risco de usar a roupa do ano passado neste Carnaval.
O União 54, que no próximo ano compete na classe B, de adultos, está a ensaiar com regularidade, com o objectivo de voltar ao desfile central. O responsável do grupo, Joaquim Manuel, revelou que as indumentárias, a alegoria e bandeira ainda não foram feitas, por falta de apoio financeiro. Até ao momento, esclarece, a única coisa que o grupo tem concluído é a canção, com o título de “Nação”.
“O subsídio sempre foi e ainda é um problema para os grupos, principalmente devido ao atraso na entrega, o que força a maioria dos grupos a prepararem-se tardiamente e inadequadamente”, concluiu Joaquim Manuel.

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