Autores ganham projecção

Adriano de Melo
31 de Dezembro, 2015

A literatura angolana deu este ano passos significativos para uma maior aceitação no mercado internacional, com os autores nacionais convidados a apresentarem livros em diversos festivais literários de referência mundial.

A conquista de um mercado mais abrangente não se limitou ao espaço lusófono e houve livros de autores angolanos apresentados nos Estados Unidos, Canadá, Itália e Alemanha, alguns dos quais foram tema de debates.
Esta nova dimensão foi fortalecida com a assinatura de acordos de cooperação e de defesa dos direitos de autor dos criadores angolano, bem como com o estabelecimento de parcerias de intercâmbio com escritores estrangeiros.
A promoção da literatura angolana  também foi realizada no país, com recurso a várias iniciativas, principalmente feiras e debates, e foram as crianças as que mais beneficiaram com a preocupação reinante de criar hábitos de leitura e de aproximar o livro do público, por intermédio de diversos programas como o Jardim do Livro Infantil realizado anualmente pelo Ministério da Cultura.

Os preços


Este ano foi igualmente um marco na política do Executivo de aproximar pelo preço os livros ao público.
A maioria dos programas de divulgação e venda de livros, principalmente as feiras, obedecem àquele princípio. A literatura para crianças era até recentemente pouco valorizada pelas editoras, que privilegiavam o romance e conto, facto que contribuiu para o quase desaparecimento dos autores do género, situação que começou este ano a ser alterada não apenas em Luanda, mas em todas as províncias, no cumprimento do objectivo de criar “uma sociedade mais assente no conhecimento”.
O primeiro passo foi dado, mas é preciso baixar ainda mais os preços para o livro ser acessível a todos as crianças, independentemente dos rendimentos das famílias.

Editoras e gráficas

O crescimento do reduzido parque gráfico é imposição num país que, apesar de novo e de viver de momento os efeitos da crise económica mundial, se quer desenvolver também a nível literário para os autores e as editoras não serem obrigadas cada vez mais a recorrer ao estrangeiro.  A publicação de alguns livros em Angola, embora de  forma tímida e longe das necessidades, foi decisiva na redução dos preços de capa.
Também o trabalho de algumas editoras no lançamento de livros, principalmente para crianças, se revelou fundamental nesta aproximação do livro ao público.

A união

A União dos Escritores Angolanos (UEA) esteve este ano em grande evidência não apenas no plano da promoção e defesa dos seus associados e descoberta de talentos, mas também a nível editorial, com a publicação de 70 livros, entre os quais três antologias de 20 autores já traduzidas para alemão e italiano.
A ideia da União dos Escritores Angolanos de fazer uma edição especial da revista “Texto e Protextos”, da autoria da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sobre o 40º aniversário da Independência Nacional, com textos de 40 autores angolanos merece também ser realçada.
O projecto de internacionalização da literatura angolana, com o lançamento  fora de portas de livros de autores angolanos, editados pela UEA e editoras portuguesas, começou com “Noites de Vigília”, de Boaventura Cardoso.
A UEA lançou em Portugal “Filho Querido”, de Roderick Nehone, e “A República dos Vírus”,  de António Quino e criou, também este ano, condições para aumentar o intercâmbio entre escritores angolanos e algumas universidades da Nigéria e de São Paulo, Brasil.
O novo acordo inclui a apresentação de livros de autores angolanos, particularmente aos estudantes daqueles países.

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