Autores preocupados com as crianças

Adriano de Melo
2 de Abril, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

A educação das crianças e o desenvolvimento de hábitos de leitura fazem parte das preocupações da União dos Escritores Angolanos (UEA), que lançou iniciativas, como o prémio “Quem Me Dera Ser Onda”, para incentivar a literatura infantil, disse ontem o secretário-geral da instituição.

Carmo Neto adiantou que o prémio destinado a adolescentes dos 13 aos 17 anos, de todas as escolas do país, é um incentivo à leitura e um teste às potencialidades no domínio da escrita criativa.
O secretário-geral afirmou ao Jornal de Angola que a UEA alargou o seu campo de acção no domínio da literatura infantil com esta iniciativa. “Os livros de dois dos vencedores deste prémio vão fazer parte do sistema escolar. É uma demonstração do nível de qualidade alcançada até ao momento e um sinal de o legado estar a ser garantido”, frisou.
A projecção nacional do prémio, explicou, confere às crianças a possibilidade de mostrarem o seu potencial na escrita. A UEA tem trabalhado com o Ministério da Educação neste sentido e os professores de língua portuguesa são os principais promotores do prémio. “Além deste projecto, a UEA tem realizado, regularmente, acções de leitura pública, que ajudam as crianças e adolescentes a terem um contacto maior com os livros e os autores. O projecto não se tem limitado apenas a um espaço. Procuramos levar o mesmo até às crianças desfavorecidas dos centros de acolhimento, como o Lar Kuzola”, explicou Carmo Neto.
O secretário-geral da UEA considera fundamental desenvolver projectos como o Jardim do Livro Infantil, que têm dado um grande contributo na divulgação deste género literário, com o apoio de editoras e livrarias. “A união entre as editoras e livrarias passa pela criação de programas activos, capazes de tornar o livro um produto comum do público, em especial das crianças”, disse.
Actualmente, destacou, há uma maior produção de livros, em particular dirigidos a crianças. A UEA publicou nos últimos três anos 20 títulos de literatura infantil. “É um sinal de que a instituição está preocupada com o aumento de títulos do género no mercado”, assinalou.
Porém, Carmo Neto considera que é preciso melhorar a distribuição de livros, modernizar as livrarias existentes e incentivar a criação de outras. “Outro aspecto decisivo neste processo é o renascimento, de forma acentuada, da venda por correspondência e também a produção de edições populares, geralmente de baixo custo, mas de grande alcance. É um assunto que a seu tempo o Executivo vai ajudar a realizar”, realçou.
Na óptica de Carmo Neto, a família também desempenha um papel na dinamização da literatura infantil. “Os pais e encarregados de educação jogam um papel crucial em todo este movimento, porque é através deles que a criança presta maior atenção à leitura. Eles são aconselhados, por esta razão, a ir com os filhos aos lançamentos e feiras de livros”, destacou. O desenvolvimento dos hábitos de leitura em casa é parte deste processo. “Essa responsabilidade não deve recair apenas nos professores. A escola, por meio das salas de leitura e bibliotecas, têm feito o seu trabalho, através de acções de estímulo à leitura e à escrita. O que falta melhorar é o papel da família”, aconselhou o secretário-geral da UEA.

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