Cultura

Baló Januário defende maior aposta na música tradicional

Manuel Albano

Baló Januário, vencedor da categoria de folclore do Top Rádio Luanda edição 2017, com o tema “Pedra no Sapato”, defende que a promoção dos mais variados ritmos tradicionais angolanos passa pela realização anual de um Festival Nacional de Música Tradicional.

Cantor é um dos poucos que tem privilegiado ritmos tradicionais nas suas composições
Fotografia: Edições Novembro |

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, a propósito da retrospectiva das actividades artísticas do ano passado, o cantor considerou-as de  proveitosas tendo apelado para a necessidade de se criar um festival que possa promover e ajudar a ressurgir alguns estilos musicais em iminência de desaparecer.
O festival, na sua óptica, deve ter o envolvimento dos mais variados movimentos artísticos do género tradicional e das direcções provinciais da Cultura.
Baló Januário sugere que a iniciativa, que deve ser apadrinhada pelo Ministério da Cultura, vai permitir dar maior visibilidade a alguns talentos que se encontram no anonimato e que muito têm feito para a preservação dos distintos ritmos tradicionais espalhados pelo país.
Reconheceu alguns esforços implementados por instituições estatais e privadas para a promoção, preservação e divulgação da música tradicional tendo afirmado que pouco se tem feito para dar uma outra projecção aos estilos tradicionais a nível nacional.
No entender do cantor, outros estilos musicais que não se identificam  com a cultura angolana estão a ganhar cada vez mais espaço no mercado, o que está a preocupar a classe artística nacional, pois, como sublinhou, “estamos a deixar os nossos valores culturais desaparecerem gradualmente. Não estou contra, mas é importante que os nossos ritmos estejam nos lugares privilegiados”.  
Autor de vários sucessos neste estilo de música tradicional, Baló Januário disse que apesar de não ter conseguido no ano passado colocar no mercado o quarto disco, devida à falta de patrocínios,  espera ter mais sorte este ano.
Sem ainda um título definido, o disco tem dez temas e privilegia os ritmos tradicionais como sambalage, catutula, cabecinha e ngaieta. “É muito difícil conseguir apoios para a produção de um disco com temas folclóricos, mas com um pouco mais de incentivo podemos melhorar”, referiu.
O cantor tem privilegiado temas sociais sobre o quotidiano, com base em trabalhos de investigação realizados em zonas rurais, particularmente, como a região da Quissama, em Luanda. No decorrer do seu percurso, mereceu várias distinções ao longo de mais de duas décadas de carreira. É autor dos álbuns “Macandumba”, lançado em 2003, “Ubeca uami”, em 2011, e “Boca na botija”, em 2014.
Em Dezembro, Baló Januário foi a grande atracção da IX edição da Feira do Artesanato do Dondo, ao exibir-se com várias músicas do seu repertório, num espectáculo que lotou o espaço da feira, organizada anualmente pelo Ministério da Cultura. Interpretou “Boca na botija” e “A culpa é minha”, mas foi com “As miúdas d’agora” que levantou a plateia e a manteve agitada até ao fim.

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