Bens culturais na redução da pobreza

Nilza Massango |
10 de Janeiro, 2016

Fotografia: Domingos Cadência

O Ministério da Cultura está envolvido num trabalho que pretende reduzir a pobreza, incentivando os artesãos ou criadores de arte no campo a exerceram a actividade de modo rentável e superarem as dificuldades financeiras no seio das suas famílias, afirmou sexta-feira em Luanda o secretário de Estado da Cultura.

Cornélio Caley, que falava no acto provincial em Luanda do Dia da Cultura Nacional, no Memorial António Agostinho Neto, disse que o maior desafio do sector da cultura está no resgate dos valores morais e cívicos e da história do país, tendo apelado à responsabilidade de todos angolanos em conhecer o passado.
O secretário de Estado da Cultura disse ser necessário conhecer o passado para encarar o presente e construir o futuro, fazendo com que a juventude conheça os caminhos por onde o país trilhou.
O governador provincial de Luanda, Graciano Domingos, na qualidade de anfitrião, afirmou que a cultura é fundamental para o desenvolvimento de um país, porque uma cultura pobre pode também empobrecer uma Nação. “Em Angola, e fruto do colonialismo, viveu-se durante 500 anos condicionados ao desenvolvimento das nossas próprias capacidades”, sublinhou, tendo lembrado que ao longo desse tempo de colonização, sobreveio uma cultura de independência que foi sempre transmitida de geração em geração até que se conseguiu a independência.
Após a independência e decorridos 40 anos, prosseguiu o governador, tem que se incutir na população angolana a cultura da riqueza. “A pobreza é também um estado de espírito e Angola é um país com uma riqueza natural considerável, rios, terras férteis e população, mas como se explica que o mesmo, hoje, ainda seja um país pobre?”, perguntou.
“Não basta ter diamantes, petróleo, é necessário incutir na mente das pessoas que a ideia de riqueza depende do seu trabalho para o sustento das suas famílias e assim criar famílias bem-educadas, com auto-estima e consequentemente, a Nação evoluir na mesma dimensão”, argumentou.
Graciano Domingos defendeu que Luanda precisa de organizar a sua dimensão cultural para torná-la num bem promotor da economia, já que existem grupos carnavalescos que podem criar escolas, por exemplo, casas de cultura, empregar pessoas e permitir que estrangeiros possam entrar em contacto com a cultura que cada grupo mostra, como a dança do semba.
O Dia da Cultura Nacional, na província de Luanda, foi marcado pela realização de uma palestra sobre a “Dimensão Cultural do Desenvolvimento, Cultura e Diversificação da economia”, pelo escritor Luís Kandjimbo, e pela deposição de uma coroa de flores no Memorial António Agostinho Neto, em homenagem ao primeiro Presidente de Angola, considerado “Homem de Cultura”.

Aposta no património


A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, voltou a reafirmar o compromisso da sua instituição na defesa, valorização e divulgação do património cultural material, imaterial e da História de Angola.
A dirigente, que presidiu ao acto central do Dia da Cultura Nacional, realizado no Huambo, pediu ainda aos criadores para continuarem a apresentar propostas inovadoras, apesar das dificuldades financeiras, capazes de elevar mais o país além fronteiras.
A classificação da Estação Arqueológica do Feti a património nacional foi um dos feitos marcantes do Dia da Cultura Nacional. Contrariamente ao anunciado, ontem, no Jornal de Angola, o local remonta ao século VIII d.C. (depois de Cristo) e não a.C. (antes de Cristo). A estação é considerada um relevante testemunho do domínio da tecnologia e produção siderúrgica da população africana no território angolano.

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