Cultura

Bens culturais são defendidos

Mário Cohen |

Desenvolver a cultura em todo o território nacional é o grande objectivo do Ministério da Cultura, informou, a ministra Carolina Cerqueira, durante o V Conselho Consultivo daquela instituição, que decorre desde ontem, no Museu Nacional de Historia Militar, em Luanda.

 

Directores nacionais e técnicos participam no quinto Conselho Consultivo em Luanda
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

Segundo a governante, se a cultura esteve na formação da angolanidade, como na luta de libertação nacional e na preservação da integridade territorial, hoje, está ao serviço da unidade nacional, da paz e do desenvolvimento. Assim, nessa linha de pensamento, “a cultura vai dar grande contributo para o reforço da cidadania, bem como na construção de uma sociedade cada vez mais conclusiva, assim como assegurar a difusão na sociedade de valores e comportamentos ético e patriótico.”
É neste sentido que o ministério tem como prioridades a criação de programas culturais municipais, como as casas de cultura, rede de bibliotecas a nível nacional, arquivo e museus regionais.
Para a ministra, o desenvolvimento de uma indústria cultural forte e eficiente, capaz de participar na diversificação da economia e na geração de riqueza e bem-estar da sociedade, apta para contribuir sociocultural pelos valores tradicionais, é também uma das prioridades do Executivo.
A titular da pasta disse que constam ainda a valorização e divulgação do património cultural, a consolidação e expansão do ensino artístico e a promoção do ensinamento e do uso das línguas nacionais, assim como a valorização da língua portuguesa.
Por outro lado, há novos desafios que se apresentam de modo a que, dotados  de conhecimento científico e técnico modernos, passamos orgulhosamente a encarar o mundo na nossa condição cultural de angolanos.
Carolina Cerqueira deu a conhecer que o país está às portas de um novo ciclo de governação, a ser ditado pelas próximas eleições gerais. Importa lembrar que o programa do Executivo aprovado em 2012 estabeleceu um conjunto de prioridades no sector de cultura, que foi possível atender e materializar, através de uma série de acções que resultaram nos processos de criação, preservação e valorização do património cultural tangível e intangível, como geração de riqueza nas comunidades e desenvolvimento da economia da cultura e do envolvimento de toda a sociedade na materialização da política cultural angolana.
São provas disto, disse a ministra, as inúmeras realizações de modo particular, a construção do Complexo das Escolas de Arte, o Arquivo Nacional, em fase de conclusão, os depósitos do Museu Nacional de Antropologia e do Museu Regional Dundo em construção, a primeira fase da reabilitação do Museu Nacional de História Natural, a extensão da Biblioteca Nacional de Angola, bem como o início das obras da Casa de Reclusão, que vai ser um museu.
O processo de candidatura de Mbanza Kongo à lista do Património Mundial da Unesco, com decisão prevista para Julho, na Cracóvia, mereceu especial atenção da ministra da Cultura durante o seu discurso de abertura.
Fez igualmente referência à segunda reunião dos peritos africanos do Fundo do Património Mundial, realizada recentemente em Luanda, onde traçaram uma estratégia para apoiar a candidatura da cidade de Mbanza Kongo.

Reforço da cidadania

Carolina Cerqueira afirmou que a cultura deve contribuir para o reforço da cidadania e construção de uma sociedade cada vez mais inclusiva.
De acordo com a ministra, a cultura deve assegurar a difusão, na sociedade, de valores e comportamento ético e patriótico.
Carolina Cerqueira avançou que novos desafios se apresentam de modo a que, adoptados de conhecimentos científicos e técnicos modernos, se possa orgulhosamente encarar o mundo na condição cultural angolana.
Durante dois dias de actividades, os quadros do Ministério da Cultura vão analisar e promover uma profunda reflexão em torno do desenvolvimento do sector, bem como perspectivar acções futuras, tais como o ponto de situação das principais políticas, planos, programas, projectos e protocolos do sector.
O evento decorre sob o lema “Dinamizar as indústrias culturais em prol do desenvolvimento e de uma cultura de paz”.

  Programa geral do Conselho Consultivo

Entre os temas discutidos, ontem, destaque para o programa de governação para o sector, balanço e perspectivas dos projectos do programa de investimentos público,  expansão do ensino artístico especializado, formação do Complexo das Escolas de Arte e informação sobre a acções de diplomacia cultural.
O domínio das industrias culturais, a política do livro e fomento da leitura, cinema em Angola, direitos autorais e Carnaval 2018 foram outros temas em debate na sessão de ontem.
Os participantes analisaram, ainda, o património cultural, a rede museológica angolana, a preservação e valorização do património cultural,  a situação linguística de Angola e gestão documental.
A  municipalização da cultura, auscultação aos directores provinciais e o papel da igreja para a consolidação da paz, modelo de gestão dos projectos culturais, avaliação e análise do papel dos adidos culturais, informação sobre a Lei do Mecenato, centros culturai e informações sobre o projecto de reestruturação da Endipu são analiados na renião em que participam todos os directores nacionais, provinciais, assessores e colaboradores do Ministério da Cultura.

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