Cultura

Binómio memória e identidade em “Behind The Doors” de Babu

Jomo Fortunato

Em entrevista concedida à jornalista Fabiana André, publicada no então espaço digital, “Rede Angola”, em Julho de 2016, o curador e Director Geral do “ELA-Espaço Luanda Arte”, Dominick Tanner, apontava os objectivos e linhas de força do seu projecto nos seguintes termos, “O nosso espaço pretende abrigar projectos pré-existentes, criar novos, para que haja um espaço de arte com dignidade em Luanda.

As obras do artista estão presentes em colecções públicas e privadas em Angola e no estrangeiro
Fotografia: Edições Novembro

A nossa intenção é acompanhar os processos de criação, através do programa das residências artísticas, discutir temas pertinentes de natureza artística e social, com o fito de democratizar a arte e para que ela se torne mais forte e inclusiva. Este projecto nasceu da vontade de possuirmos um espaço com projectos apoiados numa estrutura sólida. Na verdade, andámos durante muitos anos a solicitar espaços disponíveis mas, infelizmente, não há muitos em Luanda em condições adequadas. Julgo que tudo começa com a criação. Muitas vezes as galerias têm uma fome de vender, mas nós não nascemos com essa vontade. Queremos criar um espaço, uma sinergia, uma estratégia e uma visão, consubstanciada na criação de obras num espaço de residência, ou seja, um local de exposição com a possibilidade de abordarmos temas artísticos.”
Hamilton Francisco teve, desde muito cedo, a paixão pela pintura. Estudou desenho industrial no Centro de Formação e Tecnologia da Manauto em Luanda. Em Portugal aprofundou o seu conhecimento na arte, trabalhando com diversas formas visuais. Como artista visual participou no Projecto “Museus no Centro”, em Coimbra, criou e desenvolveu o projecto de investigação artística “Memória e Identidade”, onde reflecte e materializaas grandes questões da história de África, na sua relação com o mundo, realçando as contradições entre o colono e colonizado. Hamilton Francisco tem participado em várias exposições individuais e colectivas, bem como residência artísticas em vários países. As suas obras estão presentes em colecções públicas e privadas, tanto em Angola como no estrangeiro. Filho de Domingos Mateus Francisco e de Anita Pedro Francisco, Hamilton Francisco nasceu  em Malanje, curiosamente, no dia 25 de Abril de 1974.

Exposições

Ao longo da sua carreira, Hamilton Francisco fez as seguintes exposições, Colectiva “Esta paz é minha”, Palácio da Bolsa, Porto, Apresentação do Projecto Artístico “Memória e Identidade” na FLUC, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, participação numa aula colectiva sobre Estudos Africanos, onde tem projectado e desenvolvido planos do seu potencial de investigação artística, “Memória e Identidade”, Exposição Individual “O Diário Comum”, Musa, em Aveiro, Exposição Individual “Pop Story”, MAA&S, em Coimbra, Exposição Individual “A Revolta do Atlas”, Galeria Artinzo, em Lisboa, todas em 2014. No ano seguinte, participou na Organização da 1ª Edição da “Bienal Ano Zero” em Coimbra, Exposição Colectiva “A Madrugada” no espaço Mira no Porto, Exposição Individual “Mil Anos Verde” na biblioteca de Montemor -o-Velho, Exposição Colectiva na 4ª Edição do “Jovens Artistas Angolanos” ou (JAANGO) Nacional e Projecto “Formas” - Performance com Fila K Cine-Club no Conservatório de Música em Coimbra e participação e organização da 1ª Edição do projecto “Ocupação Tropicana”, Coimbra, em2015. Destaque ainda para Exposição Individual “Fragil”, Galeria Tamar Golan, Luanda, em 2016.  A Exposição / Performance “Portas Abertas-Portas Fechadas”, no Programa convergente “Bienal ano zero”, em Coimbra, Exposição Colectiva com Pedro Pires “Mu-seke” no ELA-Espaço Luanda Arte, em Luanda, Participação no Projecto “100 Voix”, Projecto Social com os refugiados, em Reen, Organização da Colectiva “Ocupação Tropicana 2” no espaço “A Camponeza” em Coimbra, forma eventos de 2017.  Por último importa referir a  Exposição Individual “Jazz no Kubico” intervenção à Revista Jazz.pt alusivo ao 15º aniversário do JACC, Jazz ao Centro Club, em 2018.

Residências
De 2012 a 2016, Hamilton Francisco participou na Residência Artística no espaço “A camponesa” com a exposição “NÓS” inserida no projecto “Ocupação Tropicana”, com Pedro Pires,  “Mu-seke”, “ELA-Espaço Luanda Arte”, Luanda, Residência Artística, seguida de exposição no Museu, Residência Artística na 4ª Edição do JAANGO Nacional, Jovens Artistas Angolanos, seguida da exposição “Cruzamentos”, Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha, Coimbra, Artista Residente do Projecto Museus no Centro, Residência Artística em Bonn, Alemanha, Exposição Colectiva, e Residência Artística, Glasgow, Escócia, seguida de uma Exposição Colectiva.

Depoimento
João Cabrera Gómez, Mestrado em Artes, fez o seguinte depoimento sobre o artista, “De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? são três paradigmas recorrentes da história da humanidade. Encontramos tentativas de resposta nas religiões e nas ciências, desde as culturas chamadas primitivas, pelo ocidente, até a era contemporânea. Contudo, o homem continua a fazer as mesmas perguntas. A arte, por diferentes meios, procurou dar respostas a esses dilemas, ora ilustrando passagens bíblicas, ora debatendo questões políticas que abordam, por exemplo, a globalização, mercantilização, produtos de consumo, divisões ideológicas ou construção de cercas num contexto mundial de diáspora. É nesses territórios que localizamos a obra de Hamilton Francisco, artista visual de origem angolana, residente em Portugal, onde desenvolve a sua investigação artística. Para Hamilton Francisco é importante debater no seu trabalho o eixo, ‘Memória e identidade’, querendo contribuir para o questionamento da interrogativa, onde viemos? Por sua vez, no paradigma ‘Onde estamos’, Hamilton Francisco traz-nos um alerta ligado às questões de mercado, consumo e exploração em massa, contestando as formas actuais de desenvolvimento económico”.

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