Cultura

Bloco “Ilú” exalta cultura ancestral

Manuel Albano | São Paulo

Os aspectos da identidade afro-brasileira com base nos ritmos do candomblé ganham maior expressão e visibilidade, anualmente, com a actuação do bloco carnavalesco afro Ilú Obá De Min, nos desfiles de Carnaval, na cidade de São Paulo, no Brasil.

Grupo reconta a história sobre as figuras mitológicas negras
Fotografia: DR

A constatação foi feita segunda-feira, em São Paulo, pela presidente do grupo, Beth Beti, durante uma exibição assistida pela delegação an-golana da Associação Globo Dikulu, na qual apresentou, entre outros compassos da cultura afro-brasileira, a diversidade rítmica e a riqueza cultural ancestral dos afrodescendentes, africanos e brasileiros.

A actuação do grupo Ilú Obá De Min, que significa “mãos femininas que tocam tambores para o rei Xangô”, inseriu-se no programa de actividades do Festival de Cinema, Artes e Literatura Africana (Fescala), que decorre até sexta-feira, em São Paulo, por iniciativa do Colectivo Raízes.
O grupo carnavalesco fez uma exibição no quadro do intercâmbio e partilha de experiências no domínio artístico, por forma a fortalecer os laços culturais entre grupos angolanos e brasileiros.
De acordo com Beth Beti, que é também uma das fundadoras do Ilú Obá De Min, o grupo procura alimentar uma forte ligação com raízes africanas, inspirando-se em tradições do continente berço da humanidade onde a prática é permitida para ambos os sexos.
Ilú Obá De Min, conta a presidente, é um projecto que existe há 15 anos, cujo compromisso é o empoderamento das mulheres, através do tambor, um instrumento de co-municação universal. “O objectivo é prestar homenagem a figuras míticas que contribuíram para a elevação e afirmação dos negros.”
Beth Beti disse que o grupo é composto por um corpo de bailado, cantoras e animadores fantasiados de orixás africanos que dançam sobre pernas de pau no meio do público, ao som de ritmos afro. O grupo aposta, fortemente, na preservação e divulgação da cultura negra no Brasil, mantendo diálogo cultural constante com o continente africano através de instrumentos, cânticos, toques e movimentos corporais, construindo, a cada ano, uma melodia, co-
reografia e figurino, inspirados numa mulher negra ou relacionados à mitologia yoruba, à cultura afro-brasileira ou africana.
No próximo ano, nos dias 20 e 21 de Fevereiro, o grupo prestará homenagem à rainha Lia do iTamaracá dança da ciranda, desfile em vários espaços culturais e avenidas do centro de São Paulo.
No primeiro ano de desfile, o grupo distinguiu a rainha Njinga Mbande, razão pela qual defende uma pesquisa continuada sobre os mitos e verdades criados à volta da soberana do Reino do Ndongo e da Matamba.

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