Bob Dylan fala da sua música


11 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Reuters

Conhecido por se apresentar quase sem dirigir palavras ao público, Bob Dylan fez um longo discurso numa gala que o homenageou, discorreu sobre as raízes da sua música e elogiou algumas figuras célebres.

Ce 73 anos, considerado por muitos músicos e críticos o maior cantor e compositor do seu tempo, falou por 40 minutos no evento em LosAngeles ligado à premiação do Grammy, ao ser nomeado “pessoa do ano” pela organização de caridade MusiCares.
O ex-Presidente Jimmy Carter entregou o prémio a Dylan depois de uma noite de apresentações das suas canções, incluindo “Knockingon Heaven’s Door” e “Standinginthe Doorway”.
Beck e Sheryl Crow tocaram gaita, Jack White voou durante um solo de guitarra, Bruce Springsteen tocou com Tom Morello, Norah Jones tocou um blues no piano e os Los Lobos cantaram em espanhol. Dylan, no entanto, não tocou nem cantou. Em vez disso, leu um discurso explicando suas raízes na música folk. “Todas essas canções estãoligadas, não se enganem, eu só estava a abrir uma porta diferente de uma maneira diferente”, disse Dylan, usando gravata.
Para provar o seu ponto de vista, Dylan recitou as letras de canções tradicionais como “John Henry” e “Come AllYourFairand Tender Ladies” e, em seguida, as letras das suas mais famosas canções, como “Blowin’IntheWind” e “TheTimesThey Are A-Changin”, demonstrando como as suas músicas eram espelhadas nas primeiras.
Dylan também falou sobre figuras musicais do seu passado, apelidando Joan Baez de “espírito livre, independente” e Nina Simone de “artista arrebatadora”.
Dylan também criticou pessoas famosas por terem pensado mal dele, incluindo compositores como Jerry Lieber e Mike Stoller, que escreveram letras para Elvis Presley.
Dylan cresceu numa família judaica numa cidade de mineração em Minnesota, deixou a faculdade e mudou-se para Nova Iorque onde se tornou famoso no início dos anos 60. Dez vezes vencedor do Grammy, o músico transformou-se em muitos momentos, assumindo o papel de bobo da corte pop, estrela do rock, cristão missionário e poeta sábio.
A gala bateu um recorde de sete milhões de dólares para a fundação Musi Cares, que ajuda membros da indústria da música que passam por maus momentos, disse Neil Portnow, presidente da “National Academy of the Recording Artsand Sciences” dos Estados Unidos.

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