Cultura

"Bomba" de Calabeto rebenta no Show do Mês

No dia em que festejou 55 anos de carreira, Calabeto “rebentou” com “Bomba” e muitas outras canções em concerto realizado no Royal Plaza, no Talatona, no âmbito da programação mensal “Show do Mês”.

Kota
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Promovido pela Nova Energia, o cantor e compositor Calabeto não deixou os seus créditos em mãos alheias e levou ao rubro, sexta-feira e sábado, os espectadores que assistiram mais uma edição do Show do Mês.
Foram duas noites memoráveis, em que o cantor destacou a música “Bomba”, uma das mais badaladas deste ano, em dueto com Matias Damásio, este último ausente, Calabeto actuou com Mister Kim, que, com mestria, partilharam o palco.
Dos 22 temas interpretados por Calabeto, que completou 55 anos de carreira, a canção "Bomba" foi a que mais o público aplaudiu e acompanhou, criando um alvoroço entre os espectadores, que pediram bis, porém, o artista encerrou o show com “A vitória é  certa”.
Os dois concertos, com duração de cerca de uma hora e 45 minutos, abriram com “Ai Nzambi”. O alinhamento musical integrou ainda as músicas “Mbiza ukusuka”, “Tua bombo tua lemba”, “João Capo”, entre outros sucessos cuja rítmica tem influências latina e brasileira.
Calabeto teve, também, convidados, entre os quais Voto Gonçalves, sendo o primeiro a subir ao palco, e cantou “Caminho incerto” e “Zakumba”, criando um forte ambiente de nostalgia musical. O autor da música “Pão com chouriço” não deixou de dançar, quase chorou de emoção, enquanto a plateia o acompanhava em uníssono.
Patrícia Faria também fez parte da festa que assinalou o 55 aniversário da carreira de Calabeto, um dos mais conceituados cantores e compositores angolanos. Patrícia Faria fez um dueto com o anfitrião, interpretando “Vida triste”.
O “dono” dos concertos, Calabeto, soube demonstrar uma vez mais, com gestos que lhe são característicos e dança, que além de intérprete é um autêntico “show man”, transmitindo muita motivação para o público dançar.
Canções em kimbundo e em português dominaram as apresentações do “Kota bwé”, conhecido também pela sua forma de cantar em kimbundu, dizem “refinado”.
Com lotação esgotada, cerca de quinhentas pessoas, os espectadores não tinham espaço para dançar, mas mesmo assim não deixavam de fazê-lo nos seus assentos.

Distinções ao cantor

No mês passado, Calabeto foi homenageado, durante um espectáculo na sala “Rei Elias”, no Complexo Turístico Weza Paradise, em Luanda, inserido no projecto Palco das Recordações, no âmbito da comemoração dos 55 anos da sua carreira, com a participação de Lulas da Paixão, Dom Caetano, Robertinho, Margareth do Rosário e Ivan Alexei, com suporte da banda Movimento.
Segundo a gerência do espaço, para este ano pretende homenagear figuras que, com o seu talento artístico, têm dado o seu mais valioso contributo à produção e divulgação da música angolana, no país e no estrangeiro.
A distinção, bastante animada e colorida em cenário, teve fogo de artifício durante o concerto, e testemunhos de colegas e amigos de Calabeto, um dos ícones da música popular angolana.
O fomento da cultura musical, durante várias décadas nos bairros periféricos de Luanda, foi um dos feitos assinalados na carreira de Calabeto, um dos impulsionadores de convívios musicais.

Perfil de Calabeto

António Miguel Manuel Francisco, de nome artístico Calabeto, nasceu em Luanda no dia 3 de Abril de 1945. Começou a cantar no grupo coral da Missão Evangélica de Luanda.
Em 1958, fundou a Turma Rio de Janeiro. Com uma carreira iniciada na década de 50, Calabeto possui um repertório no qual se destacam vários temas de sucesso, como “Nzambi”, “Ngolo yami”, “Avante o poder popular”, “Tussocana kiebi”, “Camarada Presidente” e “A vitória é certa”.
É autor do disco “Kamba dyami” e teve participação no projecto discográfico Geração do Semba (volumes um e dois).

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