Bonga foi condecorado em Luanda


12 de Dezembro, 2014

Fotografia: José Cola

O músico Bonga recebeu quarta-feira em Luanda do Governo francês a sua mais alta distinção cultural, a de Cavaleiro das Artes e das Letras.

Bonga destacou na ocasião a importância do país europeu na divulgação da sua obra e o título que recebeu para a música nacional. A cerimónia realizou-se na residência do embaixador da França em Angola, Jean Claude Moyret, tendo o músico assumido publicamente o compromisso de continuar a divulgar com coerência e força a música da sua terra. “Cada vez que faço um espectáculo é mais um golo para Angola e vocês têm consciência disso”, destacou.
Bonga voltou a lamentar que Portugal, país no qual passou mais de metade dos seus 72 anos, não tenha ainda tratado a sua arte com a mesma valorização. “Sem desprimor para determinados portugueses com quem tenho relações, mas foi a França que me abriu as portas, além da Holanda, onde gravei os quatro discos que se seguiram ao ‘Angola 72’.
Mas é a França sobretudo que me recebe, me acolhe, me dá carinho e que me dá um contexto que eu gostava que os angolanos conseguissem para as suas carreiras no país de origem, para sermos artistas de facto”, declarou o artista.
Com mais de 40 anos de carreira, o autor e intérprete da música tradicional angolana atingiu o auge da carreira internacional em 1980, tornando-se o primeiro artista africano a actuar a solo, e em dois dias consecutivos, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa,                sa  Portugal. O cantor mostrou-se ainda orgulhoso pelo seu percurso, desde os tempos de Luanda.
O embaixador francês em Angola disse que a homenagem deveu-se à extraordinária trajectória artística de Bonga, a quem considera um dos maiores artistas angolanos.
“É impressionante o número de músicos estrangeiros que retomam a sua música, como os brasileiros Martinho da Vila e Alcione e a cabo-verdiana Cesária Évora. Entre os franceses, posso citar Agnés Jaoul e, sobretudo, o seu grande amigo Bernard Lavilliers, que o brindou com uma canção”, referiu o embaixador.
Moyret disse ainda admirar o respeito que Bonga tem pela língua quimbundo e o calão luandense, muito presentes nas suas letras.
O secretário-geral da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), Belmiro Carlos, que esteve presente, destacou a importância de actos como esse para a classe artística.
Bonga, de nome de baptismo Barceló de Carvalho, nascido há 72 anos em Porto Quipiri, província do Bengo, já foi distinguido com discos de ouro e de platina durante a sua carreira, iniciada há 42 anos em França.
“Angola 72” é o título do seu primeiro disco. A partir daí gravou um disco todos os anos.

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