Brasileiro vence Prémio Camões


2 de Junho, 2016

Fotografia: DR

O brasileiro Raduan Nassar é o vencedor do Prémio Camões 2016, anunciado, em Lisboa, em conferência de imprensa com o secretário de Estado da Cultura português, Miguel Honrado.


Raduan Nassar é o décimo segundo escritor brasileiro a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa, dos Estados membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“Através da ficção, o autor revela, no universo da sua obra, a complexidade das relações humanas em planos dificilmente acessíveis a outros modos do discurso. Muitas vezes essa revelação é agreste e incómoda, e não é raro que aborde temas considerados tabú. Essa possibilidade dá-se no uso rigoroso de uma linguagem cuja plasticidade se imprime em diferentes registos discursivos verificáveis numa obra que privilegia a densidade acima da extensão”, lê-se na justificação do júri que decidiu a atribuição do prémio por unanimidade.
O secretário de Estado da Cultura de Portugal, Miguel Honrado, que anunciou o vencedor, na segunda-feira,  referiu que o premiado reagiu “com surpresa” à distinção, e que a acolheu com o “maior agrado e com orgulho”.
Raduan Nassar é considerado pela sua editora, a Cotovia, como um dos maiores escritores das letras brasileiras, “originalíssimo autor de uma obra muito reduzida e depurada”, que se estreou em 1975, com “Lavoura Arcaica”, adaptada ao cinema, assim como a novela “Um Copo de Cólera”, de 1978.
O galardoado nasceu em Pindorama, Estado de São Paulo, em 1935, descende de uma família libanesa, estudou Direito e Letras na Universidade de São Paulo, onde concluiu a sua formação académica em Filosofia.
O comunicado do Ministério da Cultura, que anuncia o prémio, destaca Raduan Nassar como “autor de uma obra de intervenção, promovendo uma consciência política e social contra o autoritarismo, comparado a nomes consagrados da literatura brasileira, como Clarice Lispector e João Guimarães Rosa, graças à extraordinária qualidade da sua linguagem e da força poética da sua prosa”. Do autor, a Cotovia publicou em Portugal, a colectânea de contos “Menina a Caminho”, de 1997. Com a obra traduzida em várias línguas, Raduan Nassar fez parte, este ano, da lista inicial do “MANBooker International Prize”, com a tradução de “Um Copo de Cólera”.
O júri desta 28.ª edição do Prémio Camões foi constituído pela professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Paula Mourão, pelo escritor português Pedro Mexia, pela escritora e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Flora Sussekind, pelo escritor e professor da Universidade Federal de Minas Gerais Sérgio Alcides do Amaral, pelo reitor da Universidade Politécnica de Maputo, Lourenço do Rosário, e pela professora da Faculdade de Letras de Lisboa e da Universidade de Macau Inocência Mata, natural de São Tomé e Príncipe.

Histórico do Prémio

O Prémio Camões, no valor de 100 mil euros, foi instituído em 1988, e atribuído pela primeira vez em 1989, ao escritor Miguel Torga (1907-1995). No ano passado, foi distinguida a escritora portuguesa Hélia Correia e, em 2014, o historiador e ensaísta brasileiro Alberto da Costa e Silva.
O moçambicano Mia Couto venceu em 2013, os brasileiros Dalton Trevisan, em 2012, Ferreira Gullar, em 2010 e João Ubaldo Ribeiro, em 2008, os portugueses Manuel António Pina, em 2011 e António Lobo Antunes, em 2007 e o cabo-verdiano Arménio Vieira, em 2009, são outros vencedores recentes.
O poeta moçambicano José Craveirinha foi o primeiro autor africano a receber o Camões, em 1991.
Em 1997, Pepetela, então com 56 anos, tornava-se simultaneamente o primeiro angolano e o mais jovem autor a ser galardoado com este prémio, que só voltaria à literatura africana em 2006 para reconhecer a obra do angolano Luandino Vieira, que recusou o galardão.
 Em 2009, venceu o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, e em 2013 o escolhido foi o romancista moçambicano Mia Couto.

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