Cultura

Canção Kongo e Ovimbundu na obra de Domingas Monte

Manuel Albano |

“A Canção Kongo e Ovimbundu - Tradições e Identidades” é o livro da autoria de Domingas Monte que sai hoje a público, numa cerimónia que decorre, às 17h00, no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda.

Escritora sugere no livro diversas acções que incentivam à preservação das canções populares
Fotografia: DR

O lançamento do livro enquadra-se nas actividades comemorativas do 23 de Abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, organizadas pelo Ministério da Cultura, efeméride que visa despertar a necessidade, importância e utilidade dos livros, assim como incentivar os hábitos de leitura à população.
O ensaio, que é apresentado pelo escritor António Fonseca, está dividido em duas partes, sendo que a primeira sobre “A tradição oral nas sociedades africanas: contextualização das culturas bakongo e ovimbundu.”
Neste primeiro capítulo, a autora apresenta os traços dominantes da tradição oral, transmissão e preservação e grupos linguísticos kongo e ovimbundu.
Na segunda parte, Domingas Monte destaca o estudo das canções kongo e ovimbundu, aborda as canções de festa e de óbito, contraponto entre as canções de ambas as culturas (bakongo e ovimbundu) e anexos.
No prefácio, Petelo Nginamau ne-Tava, vice-decano para os Assuntos Científicos da Faculdade de Letras, da Universidade Agostinho Neto, realça os ganhos da obra pelo facto de abordar, numa perspectiva comparativa, a canção festiva e de óbito dos dois povos, duas culturas em comunidades que, pela natureza e mentalidade, “procuram manter viva a herança cultural legada pelos ancestrais.”
O livro, com a tiragem de mil exemplares, foi editado pelo Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INIC), do Ministério da Cultura.
Domingas Monte nasceu em 1982, na província do Uíge, é licenciada em Línguas e Literaturas Africanas, pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais, da Universidade Agostinho Neto e mestre em Estudos Literários Culturais e Interartes, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Docente da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, no Departamento de Línguas e Literaturas Africanas, leccionou na Faculdade de Humanidades, Artes, Educação e Formação de Professores, da Universidade Jean Piaget de Angola.
Autora do livro infanto-juvenil “O Gelado de Múkua da Mamita”, Domingas Monte é co-autora do romance interactivo “O Cruzeiro da Morte” e das antologias “Sonhos Sem Fronteiras” e “O Perfume”.
Tem poemas publicados na colecção de crónicas e contos “El Dorado” e um conto na antologia de poesia e prosa “Arte de Viver”, ambos da Celeiro de Escritores do Brasil.

Mensagem do Ministério

Ao assinalar esta data, o Ministério da Cultura reafirma o seu compromisso em continuar a implementar, a política nacional do livro e da leitura, bem como da protecção dos direitos de autor e direitos conexos.
Numa mensagem alusiva à data, o Ministério da Cultura refere que, apesar dos inegáveis avanços das novas tecnologias no domínio da comunicação e ao contrário daqueles que advogam o seu fim, “o livro é ainda a nossa melhor ferramenta de trabalho, de acesso à cultura e ao conhecimento, companheiro ideal para todos os momentos.”
A política nacional do livro e da promoção da leitura visa a mobilização de recursos e articulação de esforços para se estabelecer prioridades e desenvolver-se programas que favoreçam a expansão do livro, dinamizando um processo que inclui a efectiva protecção e defesa dos direitos do autor, do editor, do importador, do livreiro e do distribuidor.
Sobre os Direitos de Autor, o Ministério da Cultura está empenhado em criar condições necessárias que assegurem a eficácia da protecção e defesa do Sistema Nacional de Direitos de Autor e Conexos, através de um quadro legal que integre a implementação da nova era de recompensa, no uso de obras intelectuais para fins económicos e de responsabilização.
O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor foi instituído pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em 1995.

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