Cannes sem cinema italiano


15 de Maio, 2016

Fotografia: Kindala Manuel

A ausência do cinema italiano, pela primeira vez, na competição para a Palma de Ouro do Festival de Cannes, é uma das maiores surpresas do evento, que deixou perplexos alguns dos críticos internacionais em França.

A maioria dos críticos, destacou a Reuters, está admirada não só porque se trata de uma das cinematografias mais ricas e diversificadas da Europa, mas também por serem antigos os laços de produção entre Itália e França.
Os especialistas na sétima artes acrescentam ainda que tal perplexidade foi reforçada pela descoberta do novo filme do italiano Marco Bellocchio, “Fai Bei Sogni”, na abertura da Quinzena dos Realizadores.
O filme, inspirado num “best-seller” de Massimo Gramellini, conta a historia de um adulto que, durante décadas, vive assombrado pelo enigma construído em torno da morte da sua mãe. “Marco Bellocchio interessa-se, como sempre, pela intensidade dos laços afectivos no interior do espaço familiar, neste caso enraizados no amor total que descobrimos nas belíssimas cenas do passado, entre mãe e filho”, descrevem os críticos em Cannes. “Fai Bei Sogni”, destacam os críticos, retoma, afinal, linhas temáticas e obsessões simbólicas que vem desde os primeiros tempos do trabalho de Marco Bellocchio, em títulos como “I Pugni in Tasca” (1965) e “Em Nome do Pai” (1971).
“A continuada energia do seu universo permite-nos perceber que o cinema italiano soube preservar uma dimensão humana que resiste a decompor-se em qualquer psicologia determinista”, defendem os críticos  cinematográficos.

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