Capoeira foi classificada pela UNESCO


2 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil e reconhecidas no mundo, a Roda de Capoeira, recebeu da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o título de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Após votação durante a 9ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Imaterial, que decorreu de segunda a sexta-feira, na sede da UNESCO em Paris, a Roda de Capoeira ganhou oficialmente o título.
“O reconhecimento da Roda de Capoeira pela UNESCO é uma conquista muito importante para a cultura brasileira. A capoeira tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um património a ser mais conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou a ministra interina da Cultura do Brasil, Ana Cristina Wanzeler.
Além da presidente do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado; da directora do Departamento de Património Imaterial (DPI-Iphan), Célia Corsino; e dos diplomatas da delegação do Brasil junto à UNESCO, capoeiristas brasileiros também acompanharam a votação, entre eles os mestres Cobra Mansa, Duda Pirata, Peter, Paulão Kikongo, Sabiá e a Mestra Janja. O som do atabaque e do berimbau comoveram os representantes dos países presentes à apresentação que fizeram na sede da UNESCO em Paris.
A presidenta do Iphan, Jurema Machado, presente na sessão do comité, disse que as políticas de património imaterial não existem apenas para conferir títulos, mas para que os governos assumam compromissos de preservação dos seus bens culturais, materiais e imateriais, como a Roda de Capoeira. “O reconhecimento internacional amplia as condições de salvaguarda desse bem”, esclarece. “Os compromissos assumidos pelo governo para com essa salvaguarda envolvem acções de promoção, de valorização dos mestres, seja na inserção no mercado de trabalho, seja na preservação das características identitárias da capoeira ou na formação de redes de cooperação e de transmissão de conhecimento”, complementa a presidente do Iphan.
Para isso, o órgão vinculado ao Ministério brasileiro da Cultura deu apoio aos próprios capoeiristas para se realizar um amplo inventário dos grandes grupos de capoeira e mestres no Brasil e ajudou-os a instalar comités estaduais distribuídos pelo país. Neles, capoeiristas podem formular reivindicações e compromissos relacionados com a salvaguarda e promoção dessa manifestação cultural. “A política do património imaterial tem uma especificidade: é fundamental que os mestres e praticantes tenham iniciativa porque passam a ser protagonistas da própria política”, destacou.
As medidas que favorecem a salvaguarda como acção sistemática do Iphan tiveram início com um decreto do ano 2000. Quatro anos mais tarde, houve outro grande avanço na área, quando se criou um departamento exclusivo para isso no órgão. “É trazer para protecção do Estado toda uma diversidade de práticas e conhecimentos que são património brasileiro tanto quanto prédios e paisagens. É património vivo que implica uma complexidade grande, com muitas acções por parte do poder público, mas que temos aprendido a fazer”, conclui.

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