Capoeira luta pelo Património Mundial


25 de Novembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Dança, luta e símbolo de resistência dos povos africanos, a capoeira pode ser reconhecida como Património Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial da UESCO anuncia esta semana, em Paris, a decisão. Ao todo, foram feitos 46 pedidos de registo pelos Estados-Membros, 32 dos quais recomendados pelo órgão técnico do comité, entre os quais o da capoeira, feito pelo Brasil.
No dossier de candidatura, de 25 páginas, o Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil (IPHAN) enumera uma série de acções para difundir a capoeira e propõe medidas de salvaguarda orçadas em mais de 700 mil dólares, como a produção de catálogos e encontros.
O documento refere que o registo favorece a consciência sobre o legado da cultura africana no Brasil e o papel da capoeira no combate ao racismo.
O dossier lembra que a prática da capoeira chegou a ser considerada crime e proibida, mas que hoje é praticada em várias partes do mundo. “A capoeira, manifestação cultural de muitas dimensões, é ao mesmo tempo luta, dança e jogo, tão ligada à nossa História, à nossa sociedade, que é um pouco do que é o povo brasileiro”, disse a directora do Departamento do Património Imaterial do órgão, Célia Corsino.
A capoeira, reconhecida desde 2008 como património cultural pelo IPHAN, envolve os praticantes por meio do canto, dos instrumentos típicos como o berimbau e do atabaque, numa roda, onde os golpes se confundem com a dança, prática que é ao mesmo tempo jogo e brincadeira.
Os pedidos dos mestres para a proteger e ser registada como património da humanidade também foram tidos em conta no dossier entregue à UNESCO. No documento que recomenda o registo, o comité técnico da UNESCO recorda que a capoeira nasce da resistência contra a discriminação e favorece a convivência social entre pessoas diferentes.
O Brasil, conhecido como dos maiores portos de desembarque de africanos, apresenta no próximo ano o pedido de registo como património da humanidade do Cais do Valongo, centro do Rio de Janeiro. Calcula-se que aquele país tenha recebido 40 por cento de todos os africanos escravizados que chegaram vivos às Américas e que cerca de 60 por cento tenham entrado pelo Rio de Janeiro, afirmou o antropólogo e fotógrafo Milton Guran, do Comité Científico Internacional do Projecto Rota do Escravo da UNESCO.
 O Cais do Valongo é considerado sagrado por religiões de matriz africana.

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