Cultura

Carlos Lamartine distinguido na Trienal

Os palcos do Palácio de Ferro, sede da III Trienal de Luanda, acolhem amanhã à noite três concertos musicais, nomeadamente da banda franco-brasileira “Les Serges”, do percussionista Rodrigo D’Orey e do músico Carlos Lamartine.

Trienal de Luanda reconhece feitos do músico em prol da música revolucionária
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

O primeiro no palco Bengo, às 20h00, vai ser protagonizado pela banda franco-brasileira “Les Serges”; seguindo-se com o percussionista Rodrigo D’Orey, às 21h00, no Ngola, numa parceira com a Alliance Française de Luanda. O terceiro, às 21h30, vai ser o concerto-homenagem ao músico Carlos Lamartine.
A referida homenagem ao compositor e nacionalista, Carlos Lamartine, é feita pela III Trienal de Luanda, no palco Ngola do Palácio de Ferro. Lamartine vai ter o acompanhamento dos instrumentistas Lito Graça (bateria), Texas (guitarra ritmo), Miqueias Ramiro (teclado), Chico Santos (percussão), Chalana Dantas (percussão), Nelas D’Som (guitarra solo), Ferro (baixo), Trícia e Raquel Lisboa (coros).
O artista, um dos compositores que marcou a época de ouro da canção revolucionária, a par de Ruy Mingas e Carlitos Vieira Dias, contribuiu nos arranjos do Hino Nacional, poema de Manuel Rui Monteiro, vai fazer uma incursão aos temas que marcaram os mais de meio século de sua trajectória artística, tais como: “Pala ku nu abesa ó muxima”, “Ó dipanda wondo tula kiá”, “Nvunda Ku Musseke”, “Ku Maiomba”,  “Miquelina”,  “Semba do Prenda” e “Kamuine”.
Nascido na província de Benguela no dia 29 de Março de 1943, mas foi no Marçal que Carlos Lamartine deu os primeiros passos musicais. Pertence a uma geração ligada à música de intervenção e que atravessou as mais variadas etapas da Música Popular Angolana. Foi um dos fundadores do grupo “Os Kissuekeia”, onde deu início a sua carreira.

Clássicos com ritmo brasileiro


A banda franco-brasileira “Les Serges”, tem como proposta musical, uma homenagem aos clássicos da canção francesa, combinando ritmos e arranjos inspirados no samba e na bossa nova. O objectivo é mostrar a riqueza da música de Serge Gainsbourg e outros nomes da canção francesa, como Charles Aznavour, Henri Salvador, entre tantos outros.
No concerto, apresentará um repertório de Maloya, estilo musical e identidade cultural da Reunião, classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2009. Ao passo que o percussionista Rodrigo D’Orey irá interpretar clássicos do cancioneiro indiano, fazendo recurso à uma percussão bastante dinâmica, no estilo “Tin-tal”.

Resgate e divulgação das obras

A III Trienal de Luanda teve início no passado dia 1 de Novembro de 2015 e vai até finais de Agosto do corrente ano, sob o lema “Da utopia à realidade”. Esta iniciativa cultural, da Fundação Sindika Dokolo, visa resgatar, preservar e divulgar as obras e os criadores angolanos que trabalham para o desenvolvimento da nossa hegemonia cultural, nas mais variadas disciplinas artísticas.
Do tradicional à arte multimedia, a Trienal de Luanda é um exercício que se contrapõe à violência, respeita a diferença, redimensiona e valoriza o outro, enquanto sujeito artístico de acção, tendo como objectivo o resgate, através das Artes Visuais e Cénicas, os orbes da nossa memória colectiva.
Nesta vertente, a III Trienal de Luanda já realizou, desde Novembro de 2015 a 9 desde mês, 2.455 eventos (artes visuais, cénicas, literatura, projecto educação e entrevistas), 2.090 artistas participaram, tendo um total de público de 245.635 pessoas, em 532 dias de actividades.

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