Cultura

Carnaval movimenta foliões

João Luhaco | Lubango e João Salvo | Saurimo

Um total de 113 grupos carnavalescos da província da Huíla estão empenhados na preparação com vista a participação nos desfiles  municipais da edição 2018 do Carnaval que se realiza no dia 13 de Fevereiro,  sob o lema “Carnaval-Um estímulo à preservação dos valores da identidade cultural”.

Grupo Bravos da Vitória de Benguela participa no desfile central do Carnaval em Luanda
Fotografia: Jesus Silva | Edições Novembro | Lobito

De acordo com o mapa de controlo estatístico dos grupos por município,  a que o Jornal de Angola teve acesso, dos 14 municípios existentes na Huíla, o do Lubango é o que tem o maior número de grupos já inscritos, com um total de 34 agremiações, dos quais 13 de adultos, 13 infantis e  oito blocos de animação. Seguem-se os municípios  da Jamba Mineira com 11 grupos  e o de Caluquembe, com nove conjuntos inscritos.
Pedro Mussunda, chefe de departamento  da Acção Cultural, disse que a Comissão Preparatória  Provincial do Carnaval na Huíla  devido aos escassos recursos financeiros  decidiu realizar  o acto central provincial da presente edição do Carnaval no Lubango e apenas desfiles municipais nas restantes localidades da província.
“Na última reunião da Comissão Preparatória Provincial todos os municípios se predispuseram em prestar o apoio mínimo necessário para que o Carnaval se realize sem sobressaltos, tendo em atenção as condições económicas e financeiras que o país está a atravessar actualmente. Por isso, vamos ter sim os actos municipais do Carnaval  em todo território da província da Huíla no dia 13 de Fevereiro”, garantiu o chefe de departamento  da Acção Cultural.
Pedro Mussunda avançou que a edição 2018 do Carnaval na Huíla começou a ser preparada em Outubro do  ano passado, com o despacho de nomeação da Comissão Preparatória Provincial pelo governador da província e posteriormente a inscrição dos grupos a nível das administrações municipais.
“A Comissão Preparatória Provincial também baixou instruções inerentes ao calendário que foi discutido para a  realização das actividades do Carnaval, bem como aprovou o respectivo lema que começou já a ser divulgado em todos os municípios, no sentido de realizarem as suas actividades com base neste instrutivo”, frisou.
De acordo com o calendário aprovado, as actividades carnavalescas da presente  edição  na Huíla  têm início no dia 9 de Fevereiro com a realização de actividades recreativas e culturais em discotecas, centros recreativos e culturais. Para o dia 10, o programa reserva a realização do Carnaval de Rua, no dia 11 os desfiles de apuramento dos grupos nos bairros e comunas, no dia 13 os actos oficiais provincial e municipais, e no dia 14  a Quarta-feira das Cinzas e a cerimónia de entrega dos prémios aos vencedores.
No Lubango,  município que vai acolher o acto provincial, os grupos carnavalescos estão adiantados com os preparativos para participar no desfile do Carnaval que vai ter lugar dia 13 de Fevereiro, pelas 13h30, na praça João Paulo II.

Lunda-Sul cria condições


As condições financeiras para apoiar os 20 grupos carnavalescos que vão participar na presente edição do Entrudo na província da Lunda-Sul estão criadas, garantiu, em Saurimo, o director provincial da Cultura.
O também músico Gabriel Tchiema afirmou que o dinheiro disponibilizado pelo governo visa mitigar todos os encargos inerentes à realização da manifestação e preparação dos grupos inscritos na província.
Um total de nove grupos da classe infantil e 11 da categoria de adulto vão participar nos dias 12 e 13 de Fevereiro,  no largo 1.º de Maio, centro da cidade de Saurimo, no desfile do Carnaval na Lunda-Sul, em representação de todos os municípios da província.
Gabriel Tchiema elogiou a entrega dos grupos durante os ensaios e as inovações apresentadas pelos diferentes grupos, pelo que vaticina uma competição bastante renhida, numa manifestação que fortalece os traços da cultura lunda-cokwe.
O director provincial da Cultura descartou qualquer possibilidade de os grupos beneficiarem de apoio em indumentária, pois como disse “os valores cedidos visam propiciar que cada grupo crie as condições mínimas necessárias para dignificar a sua participação”.
O grupo carnavalesco Utchokwe Mu Tchota, do município de Saurimo, venceu a edição de 2017 do Carnaval da província da Lunda Sul, na classe de adultos, enquanto o grupo carnavalesco Zango, do município de Muconda, se sagrou  vencedor da classe infantil.

  Bravos da Vitória de Benguela desfila em Luanda

O grupo Bravos da Vitória da Catumbela, com um historial invejável nas lides do Carnaval benguelense, é o convidado pelo Ministério da Cultura a participar e representar a província de Benguela, no desfile central do Carnaval edição 2018, no dia 13 de Fevereiro, na Marginal da Praia do Bispo, em Luanda.
Bravos da Vitória e outros quatro grupos das províncias de Cabinda, Uíge, Huambo e Cuanza-Norte, participam pela primeira vez no Carnaval de Luanda, numa exibição sem carácter competitivo, naquilo que é a antecâmara do futuro desfile nacional do Entrudo.  
O grupo Bravos da Vitória que existe há 40 anos, fundado por Mário Santos em 1978, contribuiu bastante para o desenvolvimento cultural do Lobito com um dos melhores carnavais no país.
A neta do fundador e líder do grupo Gizela Santos disse ao Jornal de Angola que a participação dos Bravos no desfile central do Carnaval em Luanda, foi um sonho que hoje se torna realidade.
Neste momento, o seu quartel-general tornou-se o centro das atenções, onde todos mobilizam-se em torno dos preparativos, pois prometem dignificar a província de Benguela, mostrando em Luanda o seu valor real.
De acordo com Gizela Santos, o grupo vai apenas demonstrar tudo o que foi feito ao longo dos 36 anos em que participa na maior festa popular, tendo conquistado 26 títulos.  “Eu e todos os integrantes do grupo estamos com a sensação do dever cumprido. Fomos homenageados no ano passado e este ano fomos convidados a estar presentes no desfile central, numa altura em que estávamos a decair por força do modelo de Carnaval que se instituiu em Benguela”.
Os Bravos da Vitória, adiantou Gizela Santos, já há 4 anos que deixou de exibir-se a nível provincial e este ano dançar em Luanda significa que o grupo está a renascer.
“Só não estamos a fazer mais do que gostaríamos, porque estamos a depender do apoio financeiro”, disse.

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