Cultura

Cassules defendem legado com mestria e qualidade

Alfredo Ferreira | Caxito

Entre veteranos e novatos, alguns com mais experiência do que outros, os “cassules” do Carnaval nacional demonstraram, no final de semana, terem qualidade suficiente e mestria para levarem “a bom porto” a “festa do povo”, um legado passado de gerações, cuja continuação está garantida.

^Com o colorido das roupas a despontarem Cassules do Rainha Njinga Mbande foram eleitos os melhores desta edição da “festa” no Bengo
Fotografia: Maria João | Edições Novembro | Caxito

No Bengo, os resultados foram anunciados ontem e o grupo Cassule do Rainha Njinga Mbande, do município do Dande, venceu o desfile infantil, realizado em Caxito, ao totalizar 172 pontos. Com o semba, como ritmo, o grupo levou para a pista uma canção de apelo à sociedade civil e ao governo sobre a importância de uma maior protecção das crianças acusadas de feitiçaria.
Em segundo lugar ficou o grupo Cassule do Maringa do Caboxa, com 171 pontos, que venceu, ainda, as categorias de melhor alegoria, comandante e bandeira. O grupo, que dançou a Maringa, defendeu, na canção, a implementação das línguas nacionais no sistema de ensino.
O terceiro e quarto classificados foram os Cassules União Kilamba e Jovem Independente do Kingungo, com 163 e 158 pontos, respectivamente. O quinto e último lugar atribuído pelo júri, presidido por Luciano Chila, foi para o Sagrada Esperança do Kinguxi.
Quanto aos prémios, o grupo vencedor recebe 380 mil kwanzas, dos quais 350 mil Kz pelo título e 30 mil Kz pelo prémio de melhor corte. O segundo classificado recebe 390 mil Kz, dos quais 300 mil Kz pelo lugar alcançado e 90 mil Kz pelos prémios de melhor bandeira, comandante e alegoria.
O terceiro classificado recebe 250 mil Kz, enquanto o quarto tem direito a 110 mil Kz. O quinto vai receber apenas o prémio de participação, no valor de 50 mil Kz. O Carnaval infantil a nível provincial, foi marcado pelo incumprimento do horário. O desfile, que estava previsto para as 15h30, apenas teve início uma hora depois. Outro aspecto negativo desta edição foi de razões técnicas. A organização disponibilizou apenas um microfone para todos os grupos, acto que criou muitos constrangimentos.
O desfile infantil foi assistido pelo vice-governador do Bengo para o Sector Político, Económico e Social, José Pedro, assim como membros da administração do Dande, que elogiaram as performances dos “cassules”.
Hoje, nove grupos carnavalescos, da classe de adultos, desfilam, em Caxito, na luta pelo título de melhor do Carnaval da província. Além destes vão passar também dois blocos de animação.


União 4 de Fevereiro revalida título em Malanje

O grupo União 4 de Fevereiro, do município de Malanje, sagrou-se, no domingo, vencedor do Carnaval, na classe infantil, ao totalizar 1.277 pontos, revalidando assim o título, proeza que alcançou nas três últimas edições.
Fundado em 2015, o grupo carnavalesco apresentou-se com uma canção de homenagem a cidade de Malanje, que completou 88 anos desde que ascendeu à categoria de vila e executou as danças Mbwenze e Catutula.
A segunda posição ficou com os Candengues da União Mundo da Catepa, que, ao ritmo do Semba, apelou à necessidade do engajamento dos cidadãos na limpeza da cidade de Malanje, acto que o garantiu 1.208 pontos, enquanto o grupo Pioneiro Zeca, com 1.120 pontos, ficou com o terceiro lugar.
O grupo Kina Ngó, com 1.041 pontos, ficou em quarto lugar, e o União Filhos da Palanca Negra, com 1.034 pontos, ocupou o quinto lugar. Fredy António, do grupo Kina Ngó, foi eleito o melhor comandante, ao passo que o Pioneiro Zeca teve a melhor corte.
Como prémios, o primeiro classificado recebe 900 mil kwanzas, o segundo 700 mil Kz, o terceiro 550 mil Kz, o quarto 500 mil Kz e o quinto 350 mil Kz.
Na ocasião, o presidente do corpo de júri desta edição, Amado Paciência, destacou a importância de aspectos como o entrosamento, alegoria, corte, música, dança, simbologia, teatralização, dinâmica dos comandantes, na escolha dos grupos vencedores.
O desfile provincial do carnaval da classe infantil contou, este ano, com a participação de 12 grupos e um bloco de animação e foi testemunhado pelo governador, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, que elogiou a performance dos grupos e considerou que os mesmos tendem a melhorar as exibições a cada ano.
O governador destacou ainda a importância dos empresários “criarem o hábito” de apoiar o Carnaval, por ser uma festa popular, que deve ser rentabilizada. “É uma festa de todos e como tal precisa de uma participação mais activa”, adiantou, acrescentando que os grupos têm sabido preservar a cultura local.
O União 4 de Fevereiro foi fundado em 2015 e conta já com cinco títulos, três dos quais obtidos nas últimas edições.
O desfile da classe de adultos acontece hoje, com a participação de 13 grupos e três blocos de animação.


Njinga Mbandi “brilha” no Huambo

Numa disputa acirrada, o grupo carnavalesco Njinga Mbandi, do município do Huambo, venceu, domingo, o Carnaval infantil, ao obter 327 pontos.
Os cassules, que na edição passada ocuparam o segundo lugar, superaram os outros 11 concorrentes ao apresentarem, em 15 minutos, a melhor indumentária e uma canção assente na luta pelo bem-estar das crianças do país.
O grupo carnavalesco Rainha do Milho, do município da Caála, vencedor da edição passada, ficou com a segunda posição, ao obter 301 pontos, enquanto o terceiro lugar foi para o 7 de Novembro, do município do Cachiungo, que conseguiu 271 pontos.
O prémio de melhor comandante foi para o grupo Filinhas da Canção, do município do Huambo, enquanto o grupo Augusto Ngangula, do município do Ucuma, conquistou a categoria de melhor rainha.
Como prémios foi dado ao primeiro classificado 650 mil kwanzas, 500 mil Kz ao segundo e 400 mil Kz ao terceiro.
No final do desfile, o director do Gabinete da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos do Huambo, Jeremias Piedade, disse estar satisfeito com a qualidade dos grupos, que transmitiram mensagens sobre o combate à corrupção, criminalidade e a implementação dos 11 compromissos das crianças.
Jeremias Piedade elogiou ainda o facto de a maioria dos grupos participantes mostrarem estar atentos as actuais mudanças sociais, com canções cujo teor chamam atenção da sociedade para as práticas erradas, que têm prejudicado muito a nova geração.

 

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