Cultura

Catana: ferramenta milenar

Manuel Albano

A catana é uma ferramenta de trabalho e de protecção generalizado em todos grupos etnolinguístico de Angola. Desde os primórdios da sua história, o homem desenvolveu várias técnicas para a sua protecção e instrumentos de trabalho para a sua sobrevivência.

A catana é uma ferramenta de trabalho e de protecção generalizada em todos os grupos etnolinguísticos de Angola
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

 No entanto, desde o paleolítico, o homem começou a trabalhar a pedra, transformando-a em pequenos instrumentos de defesa e caça.
Com a descoberta do fogo, passou a transformar minérios (ferro) em instrumento para o trabalho. Os homens aprenderam a adaptar e imitar a técnica de pedra sobre metal fabricando flechas, lanças e machados como instrumentos de corte e outros instrumentos de ferro como a catana.
Este instrumento, a catana, que fez parte de uma exposição temporária como Peça do Mês, no seguimento da rotatividade das colecções do acervo do Museu Nacional de Antropologia, calcula-se que tenha sido em meados do primeiro milénio Antes de Cristo, que se começou a trabalhar o ferro.
Foi precisamente nesta época que se chamava de cultura de Nok. Entretanto, a catana é um instrumento feito de ferro e madeira. Ela é um facão com cabo de madeira e uma lâmina curva e traz uma bainha de couro alongada que serve para guardá-la.
A catana é usada nos trabalhos agrícolas, na caça e também como arma de defesa pessoal. É  utilizada para desbastar mato e pequenas florestas. Do ponto de vista histórico, a catana foi usada no país como arma no início da Luta Armada de Libertação Nacional, em 1961. Um grupo de homens e mulheres munidos de paus, catanas e outras armas brancas, atacaram a Casa de Reclusão e a cadeia de São Paulo, em Luanda, para libertar presos políticos.
A catana é designada “njango” pelos ambundu, “otana” pelos ovimbundu, “kimpùpu ou tanzi” pelos bakongo, “ndjango” pelos cokwe e “poko” pelos ngangela.

Um local a visitar

A chefe de departamento de Museologia e Conservação da instituição recordou que o Museu de Antropologia tem ajudado a promover o turismo cultural através do projecto de rotatividade do acervo museológico no programa “A Peça do Mês”, visando dar a conhecer as suas colecções.
Ao longo do anos, disse  Evelize Njinga, muitos são os cidadãos nacionais e estrangeiros que procuram obter mais valências sobre a tipologia de objectos com elevado valor etnográfico, histórico e científico do Museu de Antropologia.
Embora os indicadores em ternos de adesão do público já começam a ser satisfatório para a estatística do museu, Evelize Njinga reconhece ser necessário realizar  um trabalho permanente e conjunto com  as instituições de ensino para incluírem nos seus programas curriculares mais visitas aos museus na capital.
A chefe de departamento de Museologia e Conservação lamentou a falta de interesse, na sua maioria dos cidadãos pelo turismo cultural interno. “Muitos estão mais preocupados em visitar e conhecer a cultura dos outros quando viajam para o estrangeiro, precisamos de mudar um pouco esse conceito.”
Sendo as crianças e os adolescentes  os que mais procuraram os serviços museológicos, fruto dos programas curriculares nas escolas do ensino de base, médio e universitárias, Evelize Njinga explicou ser necessário mais divulgação das actividades dos museus nos meios de comunicação social.
Evelize Njinga assegurou que a instituição tem em carteira um programa de formação, à semelhança do que aconteceu com a realização de 29 de Maio a 29 de Junho, de uma formação dirigida aos estudantes finalistas do Instituto Médio Técnico de Hotelaria e Turismo “Terra do Ngola”.
 
Depósito central

O Museu Nacional de Antropologia possui desde Novembro do ano passado um depósito central, adjacente ao edifício principal, com o objectivo de conservar o acervo em melhores condições.
O edifício de quatro pisos dinamizou o funcionamento do museu. A construção dessa estrutura está incluída no programa de investimento público (PIP). Inaugurado aos 30 de Novembro de 2016, pelo secretário de Estado da Cultura, João Domingos Constantino,  em representação da ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, o depósito acomoda mais de seis mil peças de várias categorias, garantindo assim, a sua protecção e preservação para fins de pesquisas e exposição.
O novo edifício possui um bom isolamento térmico, reduzindo os gastos energéticos, com temperaturas internas mais amenas. O ruído externo é reduzido e as vantagens são muitas na melhoria significativa do conforto.
O depósito central pretende ser uma extensão contemporânea do principal edifício, de forma a garantir a harmonia estética e facilidade de utilização.

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