Cultura

“Cegueira da Justiça” de Etona sai de Cacuaco para o Cazenga

Matadi Makola

Encerra hoje a primeira exposição itinerante “Expo Tour Contemplação”, que inclui a escultura “Cegueira da Justiça”, do artista plástico Etona. Inaugurada em Cacuaco, a exposição visou homenagear à Mulher Africana.

Ministra da Cultura visitou a exposição do artista que é apresentada agora noutros municípios
Fotografia: Edições Novembro| Arquivo

O artista plástico Etona informou que depois de Cacuaco pretende apresentar a “Expo Tour” no Cazenga. Na agenda da digressão por Luanda, Viana é o terceiro destino do projecto, cujo término é no município de Luanda. 

“Depois dessas passagens pelos municípios vou realizar uma grande exposição. Estou satisfeito, porque o que esperava aconteceu, principalmente quanto à moldura humana. A ideia é fazer a cultura chegar ao cidadão e não ficar confinada à Mutamba”, disse. 

Relativamente à obra, referiu ser uma escultura de três metros, que louva os esforços da mulher na sociedade. Para o artista, a mulher africana tem um grande papel neste continente “ainda jovem e cheio de tribulação”. 

 A inauguração da escultura contou com as presenças da ministra da Cultura, Turismo e Ambiente, Adjany Costa; da secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus; da administradora-adjunta para a área técnica, Yolanda de Brito; e responsáveis do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente.

Para Maria da Piedade de Jesus, Etona “é um artista que já habituou o público a este tipo de trabalho”, destacando ser “uma peça sublime” ao dispor dos munícipes de Cacuaco. “As obras deste artista são peças exclusivas, que têm um espaço próprio. Estamos aqui para o apoiar institucionalmente, mas o empresariado também deve envolver-se nestas iniciativas”, destacou a secretária de Estado da Cultura.

Maria da Piedade de Jesus admitiu que “o Ministério da Cultura não tem como garantir todos os apoios aos artistas”, pois “a pandemia trouxe dificuldades, em termos orçamentais, também para o Estado. “Em termos directos ainda não conseguimos resolver os problemas todos dos artistas, que são muitos e não de agora, já se arrastam desde longa data”, observou.

A secretária de Estado aproveitou o momento para agradecer aos artistas que se envolveram, a custo zero, na campanha de sensibilização sobre os cuidados a ter no combate à pandemia da Covid-19, que classifica como “um trabalho excelente”.

“Vozes de Cacuaco”

O director do gabinete municipal da Cultura de Cacuaco, Henrique Neves, considerou a exposição um acto importante para a vida cultural do município. “É uma obra repleta de simbolismo para valorizar a mulher africana, figura importante na vida social de hoje. A mulher carrega um grande peso e fazem muito para sustentar as famílias”.

Quanto à carência dos artistas, em tempo de pandemia, avançou que “a administração não está parada, tanto que disponibilizou três milhões de kwanzas para a colectânea musical, ‘Vozes de Cacuaco’, como forma de ajudar os artistas nesta fase difícil”. A classe ligada ao teatro também recebeu dois milhões e meio de kwanzas, para ajudar na aquisição de alguns meios.

O produtor da colectânea, Elias Bunga, disse que a mesma “é destinada a todos artistas do município”. As inscrições para recepção das propostas duraram três semanas e encerraram no dia 31 de Junho. “Estamos a falar de 20 autores, entre grupos e artistas solo”. Elias Bunga explicou que pensam tirar perto de mil cópias.

O produto é todo nacional e gravado no município de Cacuaco, esclareceu. Apesar de não terem uma data concreta, a pretensão é colocar o disco no mercado em Outubro. “Estamos a falar apenas de artistas que vivem e trabalham no município de Cacuaco. Queremos fazer deste projecto um símbolo do município”, defendeu o produtor musical.

Tempo

Multimédia